A noite estava silenciosa quando Aurora saiu do hospital.
O estacionamento estava quase vazio.
Alguns postes iluminavam o lugar com uma luz amarelada e fraca.
Aurora caminhava até o carro com a bolsa no ombro e a pasta contra o peito.
O dia tinha sido longo.
Sessões.
Relatórios.
E, claro… Dante Moretti ocupando metade dos pensamentos dela.
Ela suspirou, apertando o controle do carro.
BIP.
As luzes do carro piscaram.
Aurora abriu a porta.
Mas antes que pudesse entrar…
Uma mão forte puxou ela violentamente pelo braço.
— AAH!
Ela foi arrancada para trás.
Quando levantou os olhos…
Reconheceu o rosto imediatamente.
Ferraz.
Os olhos dele estavam cheios de ódio.
— Boa noite, doutora.
Aurora tentou puxar o braço.
— Me solta!
Ferraz apertou ainda mais forte.
— Parece que você gosta de homens perigosos, não é?
Ela tentou empurrá-lo.
— Você está louco!
Ferraz riu.
— Louco?
Ele se aproximou ainda mais.
— Louco foi aquele mafioso achar que podia me ameaçar.
Aurora tentou se afastar.
— Dante não tem nada a ver com—
Antes que ela terminasse a frase…
TAPA!
O golpe veio rápido.
A cabeça dela virou para o lado com o impacto.
Aurora levou a mão ao rosto, surpresa com a violência.
— Você bateu em mim… — ela murmurou, atordoada.
Ferraz sorriu com desprezo.
— Isso é só o começo.
Aurora tentou correr.
Mas ele a agarrou pelos cabelos e a puxou de volta.
— AAH!
Ele empurrou ela com força contra o carro.
BAM!
O impacto tirou o ar dos pulmões dela.
— Seu mafioso acha que manda em mim? — Ferraz rosnou.
Aurora tentou reagir, empurrando ele.
— Você vai se arrepender disso!
Ferraz respondeu com outro golpe.
SOC!
O punho dele acertou o lado do rosto dela.
Aurora caiu de joelhos no chão do estacionamento.
A visão começou a girar.
O gosto de sangue apareceu na boca.
Ferraz respirava pesado acima dela.
— Levanta!
Ele puxou ela pelo braço e levantou à força.
Aurora m*l conseguia ficar de pé.
— Por favor… para…
Mas a raiva dele já estava fora de controle.
Ele deu outro empurrão violento.
Aurora bateu a cabeça na lateral do carro.
BAM!
Uma dor forte explodiu na cabeça dela.
As pernas falharam.
Ela caiu no chão.
A visão ficou turva.
Ferraz olhou para ela caída, respirando pesado.
— Agora seu mafioso vai aprender…
Ele chutou a pasta dela.
Papéis voaram pelo estacionamento.
Aurora tentou levantar a cabeça.
Mas tudo estava ficando escuro.
— V-você… vai pagar…
Ferraz riu com frieza.
— Quem vai me fazer pagar?
Ele virou as costas e entrou no carro.
O motor ligou.
O carro saiu do estacionamento.
Aurora ficou caída no chão frio.
O sangue escorria de um corte perto da testa.
A respiração estava fraca.
A visão desaparecendo.
Os sons começaram a ficar distantes.
Então…
Uma voz ao longe.
— Meu Deus! Alguém chama uma ambulância!
Aurora tentou abrir os olhos.
Mas não conseguiu.
A última coisa que passou pela mente dela…
Foi o olhar escuro de Dante.
E então…
tudo ficou preto.
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Horas depois — Hospital
BIP… BIP… BIP…
O monitor cardíaco ecoava no quarto silencioso.
Aurora abriu os olhos lentamente.
A cabeça doía.
O corpo todo parecia pesado.
Quando tentou se mexer… sentiu o curativo na testa.
Uma enfermeira apareceu rapidamente.
— Calma! Você sofreu uma agressão forte.
Aurora piscou devagar.
A memória voltando em pedaços.
Ferraz.
Os golpes.
A queda.
Ela engoliu seco.
— Ele… ele me bateu…
A enfermeira assentiu.
— A polícia já foi avisada.
Aurora virou o rosto lentamente para o lado.
O coração apertado.
Porque uma única coisa passava pela cabeça dela.
Dante.
Se ele descobrisse o que aconteceu…
Se ele soubesse que alguém bateu nela…
Aurora fechou os olhos devagar.
Uma sensação estranha percorreu o corpo dela.
Medo.
Mas não de Ferraz.
Medo do que Dante Moretti faria quando descobrisse.
Porque naquele momento…
Ela tinha certeza de uma coisa.
Ferraz tinha acabado de assinar a própria sentença. 🔥