Um Pequeno Agradecimento

854 Words
Aurora entrou na sala de interrogatório alguns minutos antes. Colocou a pasta sobre a mesa… mas dessa vez havia algo a mais ali. Uma pequena barra de chocolate. Ela olhou para aquilo por alguns segundos. Não era algo profissional. Não fazia parte do trabalho. Mas depois do que aconteceu no corredor… ela sentiu que precisava fazer alguma coisa. Alguns segundos depois, a porta abriu. Dante entrou escoltado pelos guardas. As correntes presas aos pulsos fizeram um leve som metálico enquanto ele caminhava. Mas o olhar dele foi imediatamente para ela. E depois para a mesa. Os guardas o sentaram. — Dez minutos — disse um deles antes de sair. A porta se fechou. Silêncio. Aurora abriu a pasta… mas antes de começar, empurrou a pequena barra de chocolate pela mesa em direção a ele. Dante olhou para o chocolate. Depois para ela. Uma sobrancelha dele se ergueu lentamente. — O que é isso? Aurora cruzou os braços de leve. — Um agradecimento. Dante soltou uma pequena risada baixa. — Você trouxe chocolate… para um mafioso preso? Aurora deu de ombros. — Você me ajudou. Ele inclinou a cabeça, ainda olhando o chocolate. — Eu ameacei um guarda corrupto. — Exatamente. O canto da boca dele subiu um pouco. — Você sabe que isso pode dar problema pra você. Aurora respondeu calmamente: — Eu sei me cuidar. Dante pegou o chocolate entre os dedos, girando ele lentamente. — Mesmo assim trouxe isso. Ela olhou nos olhos dele. — Sim. O silêncio caiu entre os dois. Então Dante perguntou: — Você sempre agradece homens perigosos com chocolate? Aurora respondeu sem hesitar: — Só os que merecem. Ele soltou uma pequena risada rouca. E então abriu o chocolate devagar. Mas antes de comer, ele disse: — Pode estar envenenado. Aurora suspirou. — Você é paranoico. Dante deu uma mordida no chocolate. Mastigou devagar. Os olhos ainda presos nela. — Talvez. Ele engoliu. — Ou talvez eu só esteja acostumado com pessoas tentando me matar. Aurora pegou a caneta. — Isso faz parte da vida de um líder da máfia. Ele apoiou os braços na mesa. As correntes tilintaram. — Você fala disso com muita naturalidade. — Eu estudo criminosos. — Eu não sou um criminoso comum. Aurora levantou os olhos. — Não mesmo. Dante inclinou um pouco o corpo para frente. — Então o que eu sou? Ela pensou por um segundo. Então respondeu: — Um homem que todo mundo teme. Dante mastigou mais um pedaço do chocolate. — E você? Aurora franziu levemente a testa. — O que tem eu? Ele respondeu: — Você não me teme. Aurora sustentou o olhar dele. — Ainda não. O silêncio entre eles ficou mais intenso. Dante terminou o chocolate. — Obrigado. Aurora piscou surpresa. — Você sabe agradecer. Ele deu de ombros. — Eu não sou completamente selvagem. Ela anotou algo na pasta. — Você demonstrou comportamento protetor ontem. Dante riu. — É assim que você chama aquilo? Aurora respondeu: — Você defendeu alguém. Ele se inclinou um pouco mais. — Eu defendi você. Aurora respirou fundo. — Por quê? Dante ficou em silêncio. Os olhos dele estavam mais sérios agora. Ele observou o rosto dela por alguns segundos. Então respondeu baixo: — Porque aquele guarda estava olhando para você da maneira errada. Aurora sentiu o coração bater mais rápido. — Isso não é motivo para ameaçar a família dele. Dante respondeu calmamente: — Foi o único jeito de fazer ele entender. Ela inclinou a cabeça. — Você sempre resolve tudo assim? — Quase sempre. Aurora apoiou os braços na mesa. — Você sabe que isso é errado. Dante sorriu de lado. — Doutora… Ele se aproximou um pouco mais. — Homens como eu não vivem em um mundo de certo ou errado. Os olhos dele ficaram mais intensos. — Vivemos em um mundo de consequências. Aurora ficou em silêncio por alguns segundos. Então perguntou: — E qual seria a consequência de alguém machucar você? Dante respondeu sem hesitar: — Guerra. O silêncio ficou pesado. Aurora percebeu que ele não estava exagerando. Então Dante disse algo inesperado: — Mas alguém machucar você… Ele parou por um segundo. Os olhos dele estavam presos nos dela. — Isso me deixaria muito mais irritado. Aurora engoliu seco. — Por quê? Dante respondeu baixo: — Porque você entrou na minha cabeça. Ela piscou. — Esse é meu trabalho. Ele negou com a cabeça devagar. — Não. Os olhos dele estavam mais escuros agora. — Você entrou aqui. Ele tocou levemente o próprio peito com as mãos algemadas. — E isso… não faz parte do seu trabalho. O silêncio entre os dois ficou intenso novamente. Aurora fechou a pasta devagar. — A sessão acabou. Dante não se moveu. — Você vai trazer chocolate na próxima? Ela pegou a pasta. — Não se acostume. Ele sorriu de leve. — Tarde demais. Quando os guardas entraram para levá-lo… Dante ainda olhou para ela mais uma vez. E naquele olhar havia algo diferente. Menos frieza. Mais interesse. Mais perigo. Porque agora… Aurora não era mais apenas a psicóloga dele. Ela estava se tornando algo muito mais complicado.
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