A Primeira Porta

642 Words
O som do portão de ferro se fechando atrás dela ecoou pelo corredor como um aviso. CLANG. Aurora Monteiro respirou fundo. Era a primeira vez que ela entrava em uma prisão de segurança máxima. O ar ali dentro era pesado. Frio. Cheirava a ferro, concreto e perigo. Ela caminhava devagar pelo corredor escoltada por dois guardas. Seus saltos ecoavam no chão. Aurora chamava atenção imediatamente. Seus cabelos loiros caiam em ondas suaves sobre os ombros. Os olhos azuis observavam tudo com atenção. Ela usava um vestido rosa elegante, e por cima dele estava o jaleco branco, que balançava levemente enquanto ela andava. Em uma das mãos, carregava uma pasta com documentos. Alguns presos que estavam nas celas começaram a olhar. Alguns assobiaram. Outros riram. — Olha só o que trouxeram pra cá… — murmurou um deles atrás das grades. Um guarda bateu com o cassetete nas barras. — Silêncio! Aurora manteve a postura firme, mesmo sentindo os olhares pesados sobre ela. Ela já tinha estudado mentes perigosas. Mas estar ali dentro era diferente. Muito diferente. Eles pararam diante de outra porta enorme de aço. Um dos guardas passou o cartão e digitou uma senha. A porta abriu lentamente com um rangido alto. — Bem-vinda ao setor de segurança máxima, doutora — disse o diretor da prisão, que já esperava por ela. Ele era um homem alto, de expressão séria. — Aqui ficam os piores criminosos do país. Aurora assentiu calmamente. — Foi para isso que eu aceitei o trabalho. O diretor começou a caminhar ao lado dela. — A maioria dos presos aqui são assassinos, traficantes e líderes de gangues. Mas tem um… que é diferente. Aurora abriu a pasta enquanto andava. — Diferente como? O diretor soltou um pequeno suspiro. — Ele controla metade dessa prisão… mesmo estando preso. Aurora levantou os olhos. — Quem? O diretor parou em frente a uma porta de vidro reforçado. Dentro havia uma sala de interrogatório. Ele colocou uma ficha sobre a mesa. Aurora olhou o nome. Dante Moretti. Ela folheou rapidamente. Líder de uma organização mafiosa. Acusado de dezenas de crimes. Influência internacional. Aurora levantou os olhos. — E ele aceita fazer sessões psicológicas? O diretor deu uma pequena risada. — Aceitar não é bem a palavra. Aurora fechou a pasta. — Então por que eu estou aqui? O diretor olhou diretamente para ela. — Porque você foi a única psicóloga que ele não recusou. Por um segundo… Aurora ficou em silêncio. — Ele pediu por mim? — Não exatamente. O diretor abriu a porta da sala. — Ele disse que só falaria… com a psicóloga loira de olhos azuis. Aurora franziu levemente a testa. — Ele nunca me viu. O diretor apenas respondeu: — Dante Moretti parece saber muitas coisas antes de todo mundo. Aurora entrou na sala. A porta se fechou atrás dela. Ela colocou a pasta sobre a mesa e se sentou. Alguns segundos depois… O som de passos pesados ecoou do outro lado do corredor. Aurora levantou os olhos. A porta abriu. Dois guardas entraram primeiro. E então… Ele apareceu. Alto. Moreno. Musculoso. O uniforme da prisão marcava o corpo forte. As tatuagens subiam pelo pescoço, desciam pelos braços e desapareciam sob a camisa. O olhar dele era escuro. Frio. Perigoso. Mas quando os olhos dele encontraram os dela… Dante Moretti parou de andar. Aurora também não desviou o olhar. O silêncio tomou conta da sala. Um silêncio pesado. Lento. Intenso. E então Dante inclinou levemente a cabeça, analisando ela. E disse com a voz baixa e rouca: — Então… você é a doutora que veio entrar na minha cabeça. Aurora fechou a pasta devagar. E respondeu calmamente: — Não. Ela sustentou o olhar dele. — Eu vim entender você. Pela primeira vez… Um pequeno sorriso perigoso apareceu no rosto de Dante. — Isso pode ser muito mais perigoso, doutora.
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