— Sim, o senhor está certíssimo.
— Mas, bom, vamos lá começar a reunião, que não posso deixar eles esperando por muito tempo. — Lúcio diz e se levanta de sua mesa logo em seguida.
Ele dá a volta em sua mesa, pegando todos os papéis necessários para o assunto em que discutirá na reunião com um cliente em potencial que ele vem tentando convencer a contratar seus serviços de advogado; também pega os gráficos necessários pra sua apresentação, e sai da sala sendo acompanhado por Margaret.
E depois de muita relutância do cliente em potencial, Lúcio consegue fechar mais uma contratação, com ajuda de sua equipe e logo que o expediente acaba, ele se despede de todos e vai embora. Chegando no estacionamento, Lúcio abre o carro e logo pega a listagem com o número de todas as babás que fizeram uma entrevista com ele, e começa a analisar os nomes que já foram riscados e os nomes que ele ainda não chamou, ao todo, foram 11 babás até agora, a décima primeira está prestes a ir embora, e sua busca parece não estar nem perto do fim. Depois de analisar, ele guarda a lista, e dá partida no carro, mas antes de ir pra casa, passa no supermercado para comprar o chocolate que Ravi lhe pediu mais cedo, e também leva macarrão, molho e carne moída para fazer uma janta diferente para ele e seu filho. Mesmo não sendo tão presente em casa, Lúcio nunca deixou de dar ao Ravi o que ele pedia, e quando sobrava algum tempo, gostava de se arriscar na cozinha, fazendo pratos diferenciados e testando receitas, pois desde jovem, quando começou a morar sozinho, teve que aprender a se virar, e Ravi agora cumpria o papel de cobaia sincero, pois as crianças são muito sinceras com tudo.
Quando chegou em casa, Lúcio teve que respirar profundamente antes de adentrar em sua casa, para não gritar com a babá.
— Oi, cheguei. — Gritou Lúcio.
— Papai, papai! — O pequeno Ravi veio da cozinha gritando.
— Oi, meu filho. — disse ele sorrindo pro menino e o abraçando de volta.
Nisso, a babá saiu da cozinha, com uma cara de constrangimento muito grande, certamente ela deve ter descoberto a câmera que Lúcio escondeu. O que era compreensível vindo de um pai preocupado, tudo que ele queria, era que o filho fosse bem tratado e bem cuidado, e claramente Fernanda não era essa pessoa.
— Oi, senhor. — diz dando um sorriso fraco e Lúcio apenas olhou pra ela com desdém.
Então ele se abaixou na altura de Ravi pra falar com ele.
— Filho, você pode dar licença para o papai conversar com a babá? — perguntou e o menino apenas concordou com a cabeça e logo saiu correndo para seu quarto, no andar de cima.
— Fernanda. — disse Lúcio se pondo de pé. — Pela sua reação, suponho que tenha encontrado a minha câmera escondida lá na cozinha. — diz e cruza os braços pra trás.
— Sim, senhor. — diz e olha pra baixo.
— Você então já sabe o seu destino, não é mesmo? Quem você pensa que é pra dar sonífero pro meu filho, SONÍFERO! Nunca em toda minha vida, eu vi uma babá fazer isso com uma criança inocente. — ele fala cruzando os braços.
— Inocente? — Fernanda diz revoltada. — Ele é um monstrinho! Olha o que ele fez comigo! — ela então se vira, e Lúcio pôde ver que Ravi havia cortado uma parte do cabelo da babá. — Eu não dei sonífero pra ele à toa! — Tenta argumentar.
— Não quero nem saber, e ainda acho que ele deveria ter feito pior. Se você espera receber algum centavo ou algum tipo de recomendação para outros amigos, pode ter certeza que isso nunca vai acontecer. Na verdade, vai ser tudo ao contrário disso, pode dar adeus a sua carreira e reputação de babá nessa cidade! Você está demitida! — diz ele tomado pela fúria. — A porta é a serventia da casa!
Ela não diz nada, apenas pega suas coisas e sai da casa.
Depois de resolver esse assunto, Lúcio manda uma mensagem para a babá listada no décimo segundo número, chama Ravi e vão pra cozinha, onde Lúcio faz uma janta maravilhosa e ele e seu filho jantam tranquilamente, e depois Lúcio segurava a pequena mão de Ravi enquanto subiam a escada rumo ao segundo andar da casa. O som suave de seus passos ecoava pela casa, agora tranquila depois de um longo dia. Lúcio olhou para o filho e notou os olhos dele começando a pesar, a exaustão evidente após as travessuras do dia. Chegando ao quarto, ele abriu a porta devagar, revelando o espaço iluminado apenas pela luz fraca de um abajur no canto.
O quarto de Ravi era decorado com tons de azul e verde, cheio de brinquedos espalhados que indicavam as aventuras infantis daquele dia. Lúcio guiou Ravi até a cama, puxando os cobertores e ajudando o garoto a se ajeitar entre os lençóis macios.
— Pronto, campeão — Lúcio disse com a voz suave, ajeitando o travesseiro de Ravi. — Quer que eu conte uma história?
Ravi, já com os olhos semi-fechados, apenas balançou a cabeça em afirmativo, aconchegando-se ainda mais na cama. Lúcio sorriu e sentou-se ao lado do filho, pegando um dos livros de histórias infantis que estavam na prateleira. Ele começou a ler uma história sobre um valente cavaleiro que salvava um reino distante, e conforme as palavras iam saindo, a voz de Lúcio baixava, até que percebeu que Ravi já havia adormecido.
Ele fechou o livro silenciosamente, inclinando-se para dar um beijo na testa do filho. Lúcio ficou ali por mais alguns segundos, observando a respiração suave de Ravi, seu pequeno rosto relaxado. Uma sensação de paz invadiu seu coração. Apesar de todos os desafios que enfrentava como CEO, momentos como aquele o faziam lembrar do que realmente importava.
Lentamente, ele se levantou e apagou o abajur, saindo do quarto com cuidado para não fazer barulho. Quando fechou a porta, encostou-se por um breve momento no batente, respirando fundo. O silêncio da casa, após tanto movimento, era acolhedor.
Lúcio seguiu para o próprio quarto, sentindo o peso do dia finalmente alcançar seu corpo. Quando entrou no quarto, a luz suave do luar atravessava a janela, iluminando o espaço minimalista e elegante. Ele tirou a gravata, jogou-a sobre a poltrona ao lado e sentou-se na beirada da cama, sentindo o cansaço nos ombros.
Deitou-se, apoiando a cabeça no travesseiro, e seus pensamentos começaram a vagar. O dia na empresa tinha sido exaustivo, com decisões importantes e negociações tensas. Ele fechou os olhos por um momento, tentando aliviar a mente, mas logo a preocupação com Ravi o atingiu novamente. Era a décima primeira babá que ele precisaria substituir, e agora teria que encontrar alguém que estivesse à altura de conseguir cuidar do seu filho e fazer ele mudar esse comportamento, já que infelizmente por causa do trabalho ele não pode passar muito tempo com o filho e da a devida atenção que ele merece.