Em uma sala, havia uma mulher, a genitora de um menino de olhos azuis como o céu. Brilhantes e fervorosos como nebulosas. Os olhos eram de sua mãe e o poder de seu pai, mas eram dele. Um bebê claro como as nuvens. Seu sangue prata como o aço de uma espada, um líquido grosso e invejado. Não era qualquer bebê recém-nascido, era um bebê prateado, um bebê real, um príncipe.
Uma criança calma e serena, sadia quanto, porém todo planeta tem sua penumbra. Uma semente sombria lhe fora plantada nas entranhas da mente. Ódio, rancor e vingança floresceu em seu interior.
Ainda na inocência da infância, foi atingido pela indiferença advinda do pai. O rei Tiberíades possuía dois filhos, mas seus olhos eram apenas para um: Tib. Seu irmão, seu protetor, seu amigo.
Thomas era filho de Elizabeth Merand e Tiberíades Hüller III, uma rainha assassina e manipuladora, e um rei ambicioso e orgulhoso, cego a coisas que não lhe interessavam, como filhos caçulas.
O príncipe esquecido. Um pequeno garoto com seu futuro menor ainda. Limitado de qualquer honra e prestígio que supere o de seu irmão, o poderoso, o forte, o guerreiro, o nascido para ser rei, o príncipe herdeiro. Filho do rei Tiberíades com a única mulher que ele realmente amou, a mãe do único filho que o rei ainda ama.
Thomas Hüller, o príncipe mais novo, a segunda opção, a sombra da chama. Tiberíades Hüller IV, carinhosamente chamado de Tib, dono de suspiros e corações, a mão mais disputada do reino, a verdadeira chama. Embora tão diferentes, são unidos por laços de sangue e amor. Laços de companheirismo. Com apenas um ao outro, os príncipes sequer imaginavam o que o futuro lhes preparava. Muitos banquetes, bailes, guerras, sangue, força e poder.
Além de tudo, desafios. Alguns promovidos pelo próprio pai. Ou pior, a mãe.