Beatriz tomou fôlego tentando colocar a cabeça no lugar, mas a boca de Ethan não lhe deu espaco, novamente encontrando a dela.
Não era daquela forma que as coisas aconteciam, não com ela. Beatriz sempre desprezou aquele tipo de comportamento dos jovens, insanos e sem compromissos. Contato físico era algo muito íntimo, mesmo o beijo só devia ser compartilhado com alguém com quem se tinha um compromisso, não ficar se pegando em balada tornando algo que deveria ser bonito banal e imoral.
Então o que estava acontecendo com ela? Por que não estava conseguindo empurrar Ethan e explicar isso a ele?
_ O que foi? – Ethan pergunta quando ela se afasta sorrindo de forma desconcertada.
_ Desculpa, é que eu não sou assim. Eu não acho que seja certo ficar beijando uma pessoa que m*l conheço. Eu… não quero estragar sua noite – Ela se desculpou – É melhor eu ir.
_ A gente já se beijou. Já não somos tão estranhos – Ele falou aproximando seu rosto do dela – Pulamos algumas etapas, mas isso não significa que não podemos dar um jeito. Qual o nome do seu cachorro?
_ Oi? – Ela olha pra ele sem entender.
_ O nome do seu cachorro.
_ Como sabe que eu tenho um cachorro? – Um pânico a invadiu, imaginando estar com o cheiro do seu cachorro. Ethan apenas sorriu levando o copo de bebida a boca.
_ É sério? Como sabe que tenho cachorro? Estou fedendo?
_ Não. O seu cheiro é perfeito. É só o seu jeito.
_ Ok – Ela falou rindo digerindo o que tinha sido dito – Então quer dizer que só de me olhar pode dizer que tenho um cachorro?
_ Eu errei?
_ Não – Ela sorriu – E como ele é?
_ Se eu acertar, o que ganho? Vai passar a noite comigo?
_ O que? – O rosto dela ficou vermelho.
_ Passar a noite no sentido decente da frase – Ele fala e por um momento o constrangimento dela aumentou ainda mais, por saber que ele tinha percebido o que se passou na sua cabeça.
_ Tudo bem – Ela concordou duvidando que ele pudesse descobrir.
_ Eu preciso que me responda três perguntas.
_ Tudo bem.
_ Você mora sozinha ou com os seus pais?
_ Como sabe que não moro com o namorado?
_ Hum… - Ele sorriu.
_ Tá. Eu moro sozinha – Ela responde com uma sensação estranha de que estava exposta na frente dele.
_ Apartamento ou casa?
_ Apartamento. Assim não vale – Ela reclama sentindo que de alguma forma ela estava chegando perto.
_ Você trabalha em home office ou presencialmente?
_ Os dois – Ela responde realmente curiosa para saber se ele teria como de alguma forma acertar.
Ethan não termina de secar o seu copo. Vicenzo se aproxima e cochicha algo em seu ouvido, se afastando.
_ Vamos subir?
_ Você ainda não acertou – Ela cobrou.
_ Você teve um labrador quando morava com os pais e agora tem um Pinscher que te recebe toda vez que chega em casa.
_ Meu Deus! – Ela tampou a boca horrorizada _ Você não tem como saber disso porque eu mesma tive muita dificuldade para escolher o Pinscher, eu quase comprei um poodle. Na verdade eu fiquei na dúvida entre o poodle e o buldogue.
_ Eu tenho certeza que ficou.
_ Nossa! Você está me assustando – Ela fala realmente surpresa. O que mais ele tinha visto nela? Se tinha adivinhado seus cachorros, o que mais tinha concluído a respeito dela.
Ethan tocou a silhueta dela a conduzindo para a área VIP, onde os garotos estavam bebendo e jogando. Aurora já estava sentada no colo de Nico, enquanto os outros rapazes se alfinetavam em uma disputa de pôquer.
Beatriz fez uma careta para a prima, tentando fazer com que ela entendesse que deveria sair do colo de Nico, mas Aurora balançou a cabeça em recusa. Aurora nem parecia ter dezenove anos. Tinha um juízo pequeno e quando gostava de um rapaz, se jogava de cabeça. Todas as suas primas eram malucas, mas de todas, ela era a mais s*******o.
_ Você joga Bia? – Ângelo pergunta e Beatriz se entala surpresa com o fato do rapaz já saber o nome dela e ainda a chamar de um jeito como se fosse próximos quando ela não tinha a menor ideia do nome dele.
_ Não. Mas tenho umas primas que são realmente perigosas com um baralho.
_ Liga pra elas – Ele pede mexendo o baralho – Seria divertido.
_ Ah, eu não sei – Ela olha para o relógio. Aquilo tudo estava indo tão rápido e ao mesmo tempo tão divertido.
_ Sim – Aurora pega o celular e liga para suas primas – Elas já estão a caminho – Diz sorrindo.
Ethan entrega a Beatriz um copo com drink e gelo.
_ Tem pouquinho álcool – O jeito cuidadoso com que falou a encorajou a beber. Talvez precisasse mesmo beber um pouco para relaxar.
O drink estava realmente saboroso, a musica agradável, os rapazes divertidos e a mão de Ethan em sua cintura terminava de deixar tudo realmente maravilhoso.
Elein e Eleonor chegaram não muito tempo depois. Ethan cumprimentou as duas e chamou Beatriz para dar uma volta. Ele queria ficar a sós com ela, mas sabia que ela ficaria preocupada com a prima se saíssem antes que as outras chegassem. Por isso aguardou a chegada delas.
_ Você está cansada? Quer ir para um lugar mais calmo?
_ E que lugar seria esse?
_ Estou hospedado em um hotel aqui perto.
_ Ah, eu não sei…
_ Vamos jantar, conversar, nos conhecer melhor. Nada demais.
_ Você sabe que não é só isso.
_ Não. Não é – Ele admitiu incapaz de negar que queria mais do que isso – Mas não vou te forcar a nada. Só quero o que me deve, sua companhia.
_ Tudo bem – Ela concordou voltando a sorrir.
Ethan colocou o capacete na cabeça dela e ela se sentou na garupa da moto dele, o abraçando com carinho.
Beatriz sabia que aquele relacionamento não tinha futuro, pois dentro da sala VIP os meninos falaram que eles eram italianos e que só tinham viajado para os Estados Unidos por causa da formatura de um dos rapazes.
Aquele seria um encontro de apenas uma noite, então decidiu que iria aproveitar o momento sem paranóias e sem expectativas. Ethan era atraente demais para ela simplesmente dar as costas e ir embora. Qual o m*l em ser como as outras garotas, sem frescuras e sem limitações? Apenas aproveitando o momento. Ela não era nenhuma virgem inocente indo para um bordel – Repreendeu a si mesma tentando relaxar.