cap 21 vou buscar minha filha

632 Words
RENATO (Delegado) Chegamos essa madrugada de viagem, e eu nem parei em casa, vim direto para a delegacia. Essa viagem, na verdade, foi um pretexto para esfriarmos a cabeça longe de Maria. Já estava no carro de volta para casa depois de passar o dia na delegacia, e eu vi uma ligação de Heloísa e logo atendi. Ligação On — Maria Júlia sumiu, Renato. — Minha mulher falou no telefone e meu sangue ferveu. Maria estava me dando trabalho demais, a última surra não resolveu nada, mesmo eu pegando cada vez mais pesado. — p***a, Heloísa. Tô chegando em casa, liga para o Beto e fala para ele levar os equipamentos dele. — Ela concordou e desligou. Ligação Off Beto era um rapaz da delegacia que cuidava das câmeras da minha casa. Ele iria saber exatamente como Maria fugiu. Recebíamos notícias dela que os funcionários da casa nos davam: ela não saiu do quarto para nada, perdeu um monte de aula e não recebia visitas. Não sei onde erramos na criação dessa garota. Quando Maria era criança e fazia alguma coisa errada, nós corrigíamos conversando, até vermos que não ia resolver nada. Comecei a dar umas palmadas e quando percebi que ela começou a ter medo de mim, aí sim tinha dado certo. Mas eu estava tão irado da última vez que bati nela que descontei toda a minha raiva. Ela é minha filha, ninguém pode se meter na criação que eu dou a ela. Tenho andado estressado demais, não consigo de jeito nenhum achar um homem que só tem um apelido na ficha. Ou como eles chamam no mundo do crime, "vulgo". Ele é uma sombra que ninguém encontrava nem rastro, ninguém sabia o nome, nada! Eu procurei em milhares de registros algo com o apelido Talibã, mas não encontrei nada. Ele é realmente como uma sombra. Cheguei em casa e Heloísa estava andando em círculos, quase puxando o cabelo. — Finalmente! — Ela soltou o ar que nem parecia estar prendendo e veio até mim. Assim que ela se aproximou, ouvimos batidas na porta e eu sabia que era Beto. Abri rápido e ele entrou carregando uma maleta. — Boa tarde, Soares. Boa tarde, senhora. — Ele nos cumprimentou e montou em cima da mesa de centro todo o seu equipamento enquanto trocávamos algumas palavras. — Aqui estão as imagens desde ontem, senhor, ela ainda estava na casa. Observei a imagem de Maria Júlia deitada no quarto às seis da tarde. Ele acelerou a imagem e logo vimos um homem entrando no quarto, tirando-a de lá e uma funcionária entrando em seguida e tirando algumas roupas de seu guarda-roupa. Heloísa olhava a imagem e identificou a funcionária como Diana; ela não estava trabalhando hoje. — Identifica esse homem, Beto. — Ele assentiu e digitou alguns códigos e algumas palavras e logo mostrou uma foto. O homem se chamava Rafael, tinha vinte e seis anos, morava em Copacabana, filho de pais não conhecidos — o que me deixou com uma pulga atrás da orelha, já que dizia que a fortuna que ele tinha era graças à herança que os pais deixaram antes de morrer. — Abre uma investigação contra ele, e registra um sequestro no nome dele. Eu vou até o endereço pegar minha filha de volta. Esse cara pensa que vai tirar ela de casa assim? — Vou fazer isso, senhor. Dito isso, peguei as chaves do carro e dirigi até o prédio luxuoso em Copacabana. Logo na entrada um segurança me barrou, mostrei meu distintivo e minha arma, mas mesmo assim ele não me liberou. — Você não pode invadir uma propriedade privada sem um mandado. Pode se retirar, por gentileza. — Respirei frustrado e com raiva. — Então liga para o apartamento e avisa que eu tô aqui.
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