Capítulo 35 — Meu luto...

686 Words

Simon Duarte A vida seguiu. Não como eu esperava, mas como foi possível. Depois que meus pais me tiraram de Natal às pressas, tudo mudou. A cidade nova era maior, mais fria, mais impessoal. A escola parecia um labirinto, e eu, um estranho tentando encontrar saída. Meus pais tentavam compensar o silêncio com promessas: “Você vai ter novas oportunidades”, “Vai conhecer gente nova”, “Vai esquecer o que ficou pra trás”. Mas eu não esqueci. Noah ficou em mim como uma marca. Não havia dia em que eu não pensasse nele. No que deixamos de viver. No que fomos obrigados a abandonar. A carta que escrevi naquela noite — e nunca entreguei — virou um ritual. Eu a relia em silêncio, como quem visita um túmulo. E depois a guardava de novo, dobrada com cuidado, como se o papel pudesse preservar o que o

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