Simon Duarte Às vezes eu me perguntava se o Noah realmente entendia. Não só o que eu sentia, mas o que eu carregava. Porque não era só dor física. Era o peso de ter um corpo que não bate com o que esperam. De viver com medo de ser descoberto, zoado, rejeitado. De acordar todo dia sabendo que tem algo em mim que ninguém entende — nem eu. Noah sempre esteve lá. Desde aquele primeiro dia na escola nova, quando eu estava desenhando sozinho e ele apareceu do nada falando de basilisco. Foi ali que tudo começou. E por muito tempo, ele foi meu refúgio. Meu único lugar seguro. Mas com o tempo, esse lugar começou a me sufocar. Não por culpa dele. Mas porque eu comecei a sentir coisas que não sabia nomear. A cada vez que ele me ajudava, que me olhava daquele jeito, que dizia que estava tudo bem…

