Estupidamente

1755 Words
Baekhyun estava lavando a louça de forma calada já fazia um bom tempo. — Deixa eu dormir aqui, Baek? — Melhor não, Chanyeol, você tem passado muito tempo com a gente nos últimos dias, não quero que ele fique mais apegado a você e você decida ir embora e deixa-lo outra vez. — Eu não vou fazer isso. — E o que me garante? Só porque voce passou esse mês aqui cuidando dele, querendo saber mais dele e ficar com ele, não quer dizer que você não é capaz de abrir mão. Melhor não. — Me deixa ficar. Por favor. — pedi o abraçando por trás e beijando seu pescoço e ombro, eu sabia que esse era seu ponto fraco. Baekhyun bufou e parou de lavar a louça enquanto jogava sua cabeça para o lado sem conseguir se conter. — Aish, tudo bem, mas só mais hoje. — Baekhyun se desvencilhou de mim ao ouvir a campainha tocar. — Fica aqui, eu vou atender a porta. Ao longe eu podia ouvir a voz de outro homem falando com Baek. —... Deixa eu entrar, eu estou com tanta saudade de você. — Não Hee. Meu filho está dormindo. Melhor a gente se falar outra hora. — Não é como se eu fosse um estranho pra ele. Além disso, você não atende mais as minhas ligações faz umas duas semanas. — Eu vou te ligar, eu prometo. Essa foi a última parte que eu ouvi, depois tudo ficou em silêncio e Baekhyun voltou para cozinha um pouco depois, onde agora quem lavava a louça era eu. Era ridículo dizer que eu morri de ciúmes de ter quase certeza de que ele tinha beijado aquele cara?! — Bom, já que você está lavando a louça vou separar uma roupa e toalhas para você tomar um banho e cobertores para você dormir. — Não precisa, eu vou pra minha casa. — tento me conter e não parecer enraivecido ao responder. — Por que mudou de ideia? — Não quero atrapalhar seu namoro. — disse meio ríspido, mas não foi minha intenção. — Eu não estou namorando. — Eu não sou i****a, Baekhyun. — Chanyeol, eu- — Appa, eu não estou me sentindo bem. — Joongi apareceu na cozinha com a blusa do pijama molhada de suor e o nariz pingando algumas gotas de sangue. Baekhyun me olhou com um olhar indecifrável e suplicante. — E-ele está com febre, pode dar um banho enquanto eu vou pegar os remédios e trocar as roupas de cama? {•••} Depois de dar banho no pequeno o sequei e levei até o quarto onde Baekhyun esperava com os remédio e roupas de cama limpas, ele deu o remédio para febre e ficamos deitados ao lado de Joongi acariciando seus cabelos até que ele pegasse no sono. Saímos do quarto em silêncio e Baekhyun me puxou para o seu. — Fica, eu quero que você fique. — ele disse baixinho e me abraçando — É melhor sabendo que está aqui. — segredou. Acariciei seus cabelos e andamos abraçados até a cama, onde nos deitamos ainda abraçados, Baekhyun olhou para cima e isso fez com que nossos lábios ficassem muito próximos, foi inevitável que nos bijassemos naquele momento e que aquele beijo nos lavasse a outra coisa em um momento em que os dois estavam frágeis demais para pensar nas consequências. {•••} Fazia mais de dois meses que eu visitava Baekhyun com frequencia, devo dizer que quase todos os dias. Dentro de mim morava um sentimento que eu não sabia explicar como era bom tê-lo, mas eu acho que sou capaz de dizer que amo Joongi e por isso o momento que se desenrola em minha frente dói ao ponto de me deixar estagnado sem saber como reagir. Nós estávamos brincando normalmente como sempre fazíamos, até ele ter aquela falta de ar e muita tosse, seu nariz de repente começou a sangrar e por seu sangue estar muito fino foi difícil demais conter. Baekhyun prendeu o choro e enrolou nosso filho em uma cobertinha infantil e o pegou no colo levando para meu carro e corremos para o hospital. Baekhyun não tinha carro, e isso me deu uma pontada no coração, a quem ele recorreu em todo o ano que nosso filho esteve doente? Estávamos na sala de espera aguardando um médico vir falar conosco, ali Baekhyun se deu a liberdade de colocar o rosto entre as mãos e chorar para aquela dor passasse, mas não passaria, sabemos disso. Ainda que eu não tenha vivido a vida inteira a lado de Joongi, era demais até para que eu suportasse. — Baekhyun. — o médico chamou e Baekhyun rapidamente levantou e foi abraçar o médico. — Heechul, diz que meu filho ta bem, por favor. — disse suplicante. — Sabe como eu te amo, Baekhyun, me dói dizer isso, mas mesmo com a quimioterapia a doença vem progredindo, sem um transplante ele não tem mais do que dois meses. Eu sinto muito. — Baekhyun não aguentou a noticia e desmaiou nos braços do médico que o levou para uma outra sala me deixando ali sozinho. Longos minutos depois o tal de Heechul veio lembrar da minha existencia. — Doutor, eu sou o pai do Joongi, você acha que tem alguma chance de eu conseguir ser o doador? Ele me olhou com uma cara séria, uma mistura de raiva talvez. Provavelmente ele sabia da história de Baekhyun e isso fazia com que ele me julgasse sem nem mesmo conhecer. — Há uma pequena chance sim, então vamos fazer uma tipagem sanguínea para vermos se você tem compatibilidade para o transplante. {•••} Depois de fazer os exames e provar que eu era totalmente compatível com Joongi eu fui para o quarto onde Baekhyun ainda descansava do choque que tomou mais cedo. Segurei sua mão e a acariciei por alguns momentos antes dele acordar. — Me desculpa. — foi a primeira coisa que ele disse ao acordar — Eu não queria que fosse assim. — Eu sei, meu amor, mas você pode descansar. Eu posso ser o doador dele, somos compatíveis, eu já fiz os exames e amanhã bem cedo eles vão realizar o procedimento, então não se culpe. — V-você pode? — perguntou lágrimas nos olhos. — Posso, e vou fazer pelo nosso filho. Então não se estresse mais. — dei um beijo em sua testa. — Ele tem razão, Baekhyun, não se estresse mais com isso, afinal, você não tem condições para isso. — C-como assim? — perguntei assutado com medo de que ele também estivesse doente. — Baekhyun está no meio de uma gestação, ter muito estresse pode afetar o bebê ou levar a uma gestação de risco. Não queremos isso. — o médico olhava sério para Baekhyun e novamente eu senti aquele tom de raiva, o olhar entre eles durou tanto tempo que eu tive até chance de criar inúmeros possibilidades. E entre elas passou que o tal de "Hee" na porta aquela noite era ele. Heechul. O médico do meu filho, por isso Joongi não estranharia o ver, já o conhecia a muito tempo. Era com esse cara que Baekhyun estava saindo e o filho poderia dele... — Você já sabia, não, afinal pra quem já tem um filho os sintomas são facilmente reconhecidos. Baekhyun pigarreou e sentou na cama. — É eu sabia sim. Mas não é o momento de falar nada sobre isso. — Você... Você disse que tomava remédio. Além disso... Desde quando você sabe? — Desde o dia que você fez o café e eu estava passando m*l. — Esse filho é meu Baekhyun?! — Heechul falou com uma voz de quase afirmação e Baekhyun ficou calado. Senti algo que parecia raiva e desespero se apossar de mim com o silêncio dele. — Eu vou ficar com o meu filho, eu não tenho mais o que fazer aqui. — levantei da cadeira e saí do quarto. {•••} Eu nem fui capaz de dormir na noite anterior ao precedimento, eu só tinha uma ânsia sem fim de ver meu filho bem. E tudo ocorreu bem, logo cedo eles extraíram o líquido da minha coluna — o que doeu muito por não ter uma anestesia para isso — e colocaram em Joongi para que seu corpo voltasse a produzir celular boas. Eu fiquei tão feliz de saber que meu filho ficaria bem, mesmo que tivesse que continuar com a quimioterapia por mais algum tempo. — Chanyeol, eu quero falar com você. — Baekhyun sussurrou me tirando dos meus devaneios. Eu estava sentado ao lado de Joongi em sua cama, acariciando seus cabelos enquanto ele dormia. Deixei um beijo na testa do meu filho e saí de seu quarto seguido por Baekhyun. — Eu não tenho nada pra falar com você. Eu estou aqui só pelo meu filho, se não fosse ele eu não queria nem olhar na sua cara, Baekhyun. — Não fala assim comigo. — ele disse chorando em minha frente, apesar de isso doer em parte, doía muito mais saber que enquanto eu queria tê-lo para mim, ele estava grávido de outro — Você não entende... — Não entendo o quê? Que enquanto eu estava o tempo todo aqui com você, querendo você, você estava com outro e agora está esperando um filho dele? Que você vai ficar com ele e vai apresentar ele como appa dos seus filhos enquanto eu vou ser só o tio legal pra sempre? Obrigado Baekhyun, nem sabia que eu merecia tanto. — falei com ironia. — Deixa de ser i****a. — falou chorando feito bebê e tentando secar as lágrimas que não paravam de sair — O filho é seu Chanyeol, seu e de mais ninguém. Foi só com você que eu transei estupidamente sem c*******a toda a minha vida. Eu engravidei porque tomei um pouco do remédio do Joongi pra provar que era bom. Como eu ia saber que a gente ia t*****r aquela noite?! O filho é seu, p***a! — Q-quer dizer que... Que... Você não estava saindo com ele então? — Eu estava sim, transei com ele sim, mas isso foi antes de te reencontrar. Que d***a, Chanyeol... Eu ainda gosto de você. — disse a última parte em um sussurro. Isso foi o estopim para mim. Puxei Baekhyun e o beijei com todo o meu desejo, sentindo seus braços rodarem meu pescoço enquanto apreciavamos o beijo que parecia ser a salvação do nosso caos.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD