CAPÍTULO 16: O SEQUESTRO

1172 Words
Narrado por Manuela De Luca Castellari O caminho de volta para casa estava calmo. Bruno caminhava alguns passos à frente, atento a tudo o que acontecia ao nosso redor, enquanto Larissa vinha ao meu lado, conversando sobre a tarde que tínhamos passado. Eu ainda pensava em Kaio, na forma como ele tinha defendido-me e no olhar que me lançou antes de partir — havia algo ali que eu não conseguia decifrar, mas que mexia comigo. Estávamos já nos aproximando da entrada principal do Complexo do Alemão, numa rua um pouco mais afastada do movimento maior, quando percebi um carro escuro parado mais adiante, com os faróis apagados. Achei estranho, mas não dei muita importância de início. — Manuela, cuidado! — gritou Bruno de repente, parando bruscamente e puxando uma arma da cintura. Mas foi tarde demais. Três homens encapuzados saíram de trás do carro e correram em nossa direção. Bruno tentou reagir, mas um deles disparou um tiro para o alto, assustando todos e chamando a atenção. Antes que eu pudesse me mover, senti mãos fortes segurarem-me pelos braços e tamparem-me a boca para que eu não gritasse. Larissa tentou puxar-me de volta, mas foi empurrada com força para o chão. — Larguem ela! — gritou Bruno, mas outros dois homens surgiram e conseguiram imobilizá-lo. Eu lutei, chutei e tentei me soltar, mas eram mais fortes. Em poucos segundos, fui jogada no banco traseiro do carro, que arrancou em alta velocidade, deixando Larissa e Bruno para trás, gritando por ajuda. Narrado por Kaio Monteiro Estava ainda na sala de reuniões com Pedro Henrique e Felipe, organizando os detalhes da segurança da região, quando um dos meus homens entrou correndo, com o rosto fechado. — Chefe! Acabou de chegar a notícia: houve um ataque perto da entrada do Alemão. A menina… a Manuela… foi levada. Senti o sangue ferver nas veias. Levantei-me de um salto, batendo a mão forte sobre a mesa. — Quem fez isso? — perguntei, com a voz grave e carregada de raiva. — Não sabem ainda, estavam encapuzados. Mas fugiram em direção à periferia, para fora da área da aliança. — Vamos atrás deles — disse Pedro Henrique, já pegando a sua arma. — Não podemos perder tempo. — Não vamos — concordou Felipe, com o olhar duro. — Marco e Diogo já devem estar sabendo também. Peguei a minha jaqueta e saímos correndo. Ao chegarmos à rua principal, encontramos Marco e Diogo acompanhados de vários dos seus homens, todos com expressões de fúria e preocupação. — Eles levaram ela — disse Marco, com a voz tensa. — Não sabemos por onde foram, mas temos uma ideia da rota. — Nós também — respondi. — Os meus homens já estão bloqueando as saídas possíveis. Quem queriam pegar a ela não faz ideia de quem está atrás deles. — Eles vão se arrepender — completou Diogo, sério. — Levaram uma De Luca Castellari. Isso é uma guerra declarada. Karla e Flávia chegaram logo em seguida, também alertadas, e trouxeram informações: — Nossos contatos viram um carro escuro virar na estrada antiga, a que leva para as matas — disse Karla. — É um lugar perigoso, mas serve de esconderijo. — Vamos nos dividir — ordenei, assumindo a liderança da operação. — Eu vou com Pedro Henrique e Felipe pela estrada principal. Marco, Diogo, levem os seus homens pela trilha secundária. Karla e Flávia, fiquem na base e passem qualquer informação que chegar. E avise a todos: não atirem à toa, mas se houver resistência, não hesitem. Queremos ela de volta, viva. Todos concordaram e cada um correu para os seus veículos. Saímos em disparada, os carros cortando as ruas em alta velocidade. Na minha cabeça, só havia um pensamento: eles não sabem o fogo com o qual brincaram. Se tocarem um fio de cabelo dela, vão pagar muito caro. Narrado por Manuela O carro parou depois de um tempo numa construção abandonada, longe de tudo e de todos. Os homens me arrastaram para dentro, amarraram minhas mãos e pés numa cadeira e tiraram as capuzes. Eram rostos desconhecidos, com expressões duras e frias. — Quem são vocês? O que querem comigo? — perguntei, tentando manter a calma, apesar do medo que apertava o meu peito. — Nós sabemos quem você é, menina — respondeu um deles, o que parecia ser o líder. — Sabemos do seu sobrenome, da riqueza e do poder da sua família. Vão pagar muito bem para tê-la de volta. — Vocês estão cometendo um erro — avisei, com a voz firme. — A família da qual falam não é como vocês pensam. Eles vão vir atrás de mim. O homem riu com desdém. — Que venham. Nós estamos preparados. Mas antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ouvimos o barulho de vários motores chegando, parando do lado de fora. Depois, passos rápidos e pesados se aproximaram da porta. — Abram! — gritou uma voz que eu reconheci imediatamente. Era Kaio. Os homens ficaram tensos, puxando as armas. A porta foi arrombada com um chute forte, e logo Kaio entrou, seguido de perto por Pedro Henrique, Felipe, Marco e Diogo, todos com armas em punho e expressões de fúria. — Larguem ela — ordenou Kaio, com a voz calma, mas tão ameaçadora que fez os sequestradores recuarem um pouco. — Cheguem mais perto e atiro! — ameaçou um dos homens, apontando a arma para mim. Mas antes que ele pudesse fazer qualquer movimento, Pedro Henrique agiu rápido, atirando no braço do homem, que gritou e deixou a arma cair. Houve uma troca rápida de movimentos, sem ferimentos graves de nenhum dos nossos lados, e em poucos segundos todos os sequestradores estavam imobilizados e amarrados. Kaio correu até mim, cortou as cordas que prendiam minhas mãos e meus pés com uma faca, e olhou-me nos olhos, verificando se eu estava ferida. — Você está bem? — perguntou ele, e pela primeira vez vi um traço de preocupação genuína em seu rosto. — Estou — respondi, respirando fundo, ainda um pouco abalada. — Obrigada. Marco e Diogo se aproximaram também, cheios de preocupação: — Graças a Deus está bem — disse Marco, colocando a mão no meu ombro. Pedro Henrique e Felipe garantiram que os homens estavam sob controle, enquanto Karla e Flávia, que tinham chegado logo atrás, vieram ver se eu precisava de algo. Kaio ficou ao meu lado por um momento, antes de se virar para os sequestradores: — Levem eles. Vão responder por isso. E avisem a quem os enviou: mexer com a família Castellari e com a aliança é o mesmo que assinar a própria sentença. Quando estávamos voltando para os carros, Kaio caminhou ao meu lado, mais próximo do que de costume. — Você não precisa mais se preocupar — disse ele baixo, para que só eu ouvisse. — Enquanto estivermos por perto, ninguém vai tocar em você. Olhei para ele, e pela primeira vez senti que, mesmo sem saber ainda toda a verdade sobre a minha família e sobre ele, poderia confiar.
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