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1073 Words
Melissa Alpes Narrando No outro dia eu cheguei no bistrô e Sebastian está na cozinha fazendo as suas coisas normais, ele me encara. - Oi – eu falo para ele e ele não me responde. Já estava me acostumando com a sua forma de agir, estava muito quente dentro da cozinha o que fazia as minhas mangas compridas colarem em meu corpo e os meus braços que estão machucados da noite anterior começa a doer, eu solto um gemido baixo atraindo o seu olhar e eu disfarço fazendo as coisas dentro da cozinha. - Amanhã é nossa folga – Suzana fala – ainda bem que você resolveu fechar esse bistrô de uma vez. - Ordem de maninha – Sebastian fala - Aliás ela volta quando para coloca ordem nisso? – Artur pergunta. - Vocês não tem que estar lá fora pegando os pedidos – ele já fala com um m*l humor e os dois sai da cozinha. Ele não admitia que ninguém ficasse enchendo a paciência dele aqui dentro, ele mandava embora. - Continua fritando aqui – ele fala pegando a garrafa de bebida – eu só vou ali fora – eu assinto. Eu vou até o fogão e olho para fora o vendo acender um cigarro e beber um pouco da bebida da garrafa, depois ele joga o cigarro fora e entra de volta para o restaurante, ele era assim a noite toda, ele não tinha sossego, saia e voltava, bebia, fumava e cozinhava. Esse eu acho que era a vida dele todos os dias. Eu tinha os meus traumas e não era pouco, mas trabalhando aqui nos poucos dias eu comecei a observar ele e percebi que ele também não tinha uma vida fácil , ele bebia, ele fumava, ele se drogava para fugir de todo o seu passado, de tudo que assombrava ele , assim como eu achei a minha forma de aliviar o meu sofrimento, ele tinha o dele. A noite passou rápido porque foi uma noite cheia, Sebastian ficava louco mas dava conta de tudo e mesmo as vezes ele fazendo as coisas muito rápido, ele sempre recebia elogios. - Estão querendo conhecer o chef – Artur fala entrando – o que eu falo? - Diz que o chef está ocupado de mais – ele fala - E se ele insistirem? – ele fala - Dê alguma desculpa – ele responde para Artur e Artur sai resmungando para fora. Eu o encaro e ele me encara. - Seria legal você ir receber os cumprimentos – eu falo – é sinal que gostaram da sua comida. - Não – ele fala seco e direto e eu reviro os olhos ficando em silêncio. Artur volta mais uma vez insistindo que ele vá receber os elogios dos clientes mas ele se n**a e Artur sai discutindo com ele para o salão, os dois pegava fogo, não era sempre mas quando saia era muito mais que faísca. - O dia foi puxado hoje – Suzana fala - Sim – eu falo - Graças a Deus, depois do fiasco do Sebastian abandonar a cozinha – Artur fala e ele apenas encara Artur com uma cara. - Vamos indo – Suzana fala – quer carona Melissa? - Não – eu falo – eu ainda tenho que terminar aqui – Sebastian fica em silêncio, Suzana olha para ele, mas ele não diz nada. - Está noite – ela fala – quem sabe te esperamos, está muito escuro lá fora. - Não precisa, pode ir descansar – eu falo para ela que tenta mais uma vez insistir, mas eu a mando ir e ela acaba cedendo e eles vão embora. Eu fico terminando de lavar a louça e organizar e Sebastian me ajuda a limpar as panelas e fogão, depois ele sai para fora e acende um cigarro, eu sinto o cheiro dentro da cozinha. Será que a irmã dele aceita essas atitudes dele? - Eu já acabei – eu falo para ele e ele entra – eu posso ir embora? - Espera - Ele diz me olhando e eu encaro ele - Eu não quero ver mais você revirando os lixos por aí - Ele fala em entregando um saco de papel com sanduíche dentro - É perigoso passar por aquele beco à noite, E a próxima vez que você estiver com fome, você me pede , ok? - Ele fala me olhando firme. - Era você no beco? – eu falo olhando para ele. - Sim, era eu mas isso ninguém vai saber – ele fala – A próxima que vez que você não tiver dinheiro para comprar comida, você chega e pede. Ninguém aqui dentro precisa ir pegar comida no lixo em um beco escuro , comida aqui tem bastante. - Desculpa – eu falo nervosa – é que – ele me olha. - A pensão é longe daqui né? – ele fala – é perigoso você ir andando a noite, se torna longe a pé. - Eu tenho uma bicicleta velha que você pode usar. – ele fala me olhando – se você quiser, assim não precisa mais ir a pé e nem vim a pé. - Sério? - Eu pergunto sem acreditar que ele estava me oferecendo algo. - Sim - Ele fala acendendo um cigarro e fazendo sinal de silêncio e eu n**o com a cabeça e ele sorri. Ele não era apenas a pessoa amarga e grosso que ele parecia ser, ele tinha algo dentro dele que era diferente. Assim que cheguei no prédi da pensão, eu subi para o meu quarto, combinei com Sebastian que pegaria a bicicleta amanhã de manhã. - Boa noite Melissa- Maria fala - Boa noite Dona Maria - Eu falo sorrindo para ela. Dona Maria morava no quarto ao lado do meu junto de seus dois netos Cláudio e Igor um de 15 e outro de 14 anos, dormia os quatro dentro de um quarto, eu nunca tinha visto o tamanho do quarto e não sabia como ele era composto para eles todos, porque o meu era muito pequeno. Eu me sento na minha cama e abro a sacola que Sebastian tinha me entregado, eu abro um sorriso e começo a comer o sanduiche , com a fome que eu estava eu comeria uns quatro. No outro dia de manhã eu vou até a casa de Sebastian mas ninguém me atende, não encontro a bicicleta do lado de fora, então resolvo buscar amanhã.
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