Eu achava que o Murilo ia ficar inquieto, andando de um lado pro outro, rosnando pra parede e tentando achar desculpa pra ir embora, mas quando a gente entrou no consultório do Dr. Almeida, ele tava tranquilo. Tranquilo pro padrão Murilo, claro. Ou seja: calado, sério, mãos no bolso e aquele olhar que deixava qualquer recepcionista com medo de existir. Mas ele não tava suando, não tava travado, não tava respirando rápido. Ele só... estava. Talvez porque eu tava do lado ou talvez porque ele já tinha passado pela primeira avaliação e pelos exames no outro dia, e sobreviveu. O Dr. Almeida apareceu na porta com o jaleco branco e aquele sorriso profissional que parecia treinado no espelho. — Murilo? Bárbara? Podem entrar. Murilo assentiu com a cabeça, só. Se dependesse dele, ninguém nunca

