A tarde ainda tava clara quando a gente subiu pro quarto, aquela claridade preguiçosa que entra pela janela e deixa tudo com cara de domingo, mesmo quando o mundo tá caindo lá fora. Murilo entrou no banheiro primeiro, abriu o chuveiro e deixou a água esquentar. Eu fiquei encostada na porta, só olhando ele tirar a camisa devagar, como se cada peça fosse uma camada de tensão largada no chão. Ele me encarou pelo espelho. — Tu vai ficar aí olhando ou vai entrar? — perguntou com aquela voz rouca que me desmontava inteira. — Tô indo, ogrinho — respondi, rindo. Entrei e fechei a porta atrás de mim. Murilo me puxou pela cintura e me levou pra dentro do box como se fosse natural. A água quente caiu nos nossos ombros e, pela primeira vez no dia, senti ele respirar fundo... como se estivesse la

