A última noite em casa caiu sobre nós como um cobertor macio, tingido de um dourado melancólico. Cada momento era consciente, cada risada, um tesouro guardado a sete chaves no coração. A surpresa das flores ainda estava fresca na sala, seu perfume doce misturando ao cheiro de pão de queijo ainda quente. Murilo as tinha entregue com um constrangimento tão genuíno que foi impossível não sorrir. Ele não disse para que eram. Ele não precisava. Eram um pedido de desculpas silencioso, uma promessa de tentar ser melhor. Um gesto puro vindo de um homem que não conhecia a linguagem da delicadeza, mas que a aprendia, devagar, por nossa causa. Depois do jantar, uma refeição tranquila onde até o Sr. Geraldo e Dona Lurdes pareciam compartilhar da nossa paz temporária, nós três nos aninhamos no sofá

