O silêncio no quarto era pesado, cortado apenas pelos soluços abafados de Joãozinho contra o peito de Murilo. A raiva ainda pulsava no ar, mas agora era sufocada pela vergonha e pela dor de ver a criança assustada. Eu me levantei, meu corpo ainda tremendo por dentro, mas com uma clareza fria tomando conta. Caminhei até eles. Murilo me olhou, seus olhos um turbilhão de culpa e medo, medo de me perder, medo de perder o amigo, medo de ter traumatizado o filho. — Me dá ele — eu disse, minha voz surpreendentemente calma. Murilo, relutantemente, passou João para meus braços. O menino se agarrou a mim, seu rosto quente e molhado encostado no meu pescoço. Sentei no sofá, acomodando ele no meu colo, acariciando suas costas enquanto ele continuava a chorar baixinho. Então, levantei os olhos e en

