O ar da noite estava frio quando saí do salão.
Mas pela primeira vez…
Eu não me sentia pequena.
Nem perdida.
Nem fraca.
Eu me sentia…
no controle.
O homem de terno abriu a porta do carro para mim.
Um carro preto, luxuoso, completamente diferente de tudo que eu já tinha vivido.
— Entre, senhorita — ele disse.
Hesitei por um segundo.
Tudo estava acontecendo rápido demais.
Mas mesmo assim…
Eu entrei.
A porta se fechou.
E com isso…
Parecia que minha antiga vida também se fechava.
— Você precisa de respostas — ele falou, sentando-se ao meu lado.
— Preciso — respondi, olhando diretamente para ele — e quero todas.
Ele assentiu.
— Seu nome completo é muito mais do que você imagina.
Meu coração acelerou.
— Minha mãe… nunca falou nada disso.
— Porque ela não podia — ele disse.
Franzi a testa.
— Como assim?
Ele respirou fundo.
— Sua família é uma das mais poderosas do país. Mas houve conflitos… traições… e você foi afastada de tudo isso ainda criança.
Meu mundo girou.
— Então… minha vida inteira foi uma mentira?
— Não uma mentira — ele respondeu — uma p******o.
Silêncio.
Olhei pela janela.
As luzes da cidade passavam rápidas.
Tudo parecia tão distante.
— E agora? — perguntei.
Ele me olhou.
Sério.
— Agora você decide se quer assumir o que é seu.
Fechei os olhos por um instante.
Lembrei de tudo.
Das humilhações.
Das palavras de Leonardo.
Do olhar dele.
“Você é ninguém.”
Abri os olhos.
— Eu quero.
Minha voz saiu firme.
Sem dúvida.
Sem medo.
Ele sorriu de leve.
— Então vamos começar.
Enquanto isso…
De volta ao salão.
Leonardo não conseguia se mexer.
O olhar dele ainda estava fixo na porta por onde eu saí.
— Isso não pode ser real… — ele murmurou.
Mas era.
E ele sabia.
Uma das mulheres ao lado dele se aproximou.
— Amor, esquece isso… ela só deu sorte.
Ele afastou a mão dela na mesma hora.
— Fica quieta.
A voz dele saiu mais dura do que o esperado.
Ela se assustou.
Mas ele nem percebeu.
Porque sua mente estava em outro lugar.
Em mim.
— Descobre tudo sobre ela — ele ordenou para um dos seus homens.
— Mas senhor…
— TUDO.
O tom não deixava espaço pra discussão.
Ele precisava saber.
Precisava entender.
Precisava.
consertar.
Mas no fundo…
Ele já sentia.
Que talvez fosse tarde demais.
Dentro do carro, segurei minhas mãos com força.
— O que eu preciso fazer primeiro? — perguntei.
O homem de terno respondeu sem hesitar:
— Amanhã… você vai assumir oficialmente sua posição.
Meu coração disparou.
— E depois?
Ele sorriu levemente.
— Depois… o mundo vai descobrir quem você realmente é.
Olhei para frente.
Para o desconhecido.
Para o poder.
Para a vingança.
E naquele momento…
Eu soube.
Nada mais seria como antes.