# Capítulo 14: As Masmorras de Ferro
As masmorras sob o Palácio de Espinhos eram o coração gélido de Obsidian. Escavadas diretamente na rocha vulcânica e reforçadas com grades de ferro frio — um metal capaz de anular a magia de demônios e enfraquecer a vitalidade dos mortais —, as celas eram projetadas para quebrar qualquer vontade.
Elena estava sentada no banco de pedra úmida, abraçando os próprios joelhos para reter o pouco calor que restava em seu corpo. Seu vestido azul-tempestade estava manchado de poeira, e seus lábios tremiam levemente devido ao frio cortante. No entanto, seus olhos permaneciam acesos. Ela sabia que estar ali era, paradoxalmente, a sua maior proteção: nenhum traidor ousaria descer à masmorra pessoal do rei sem assinar a própria sentença de morte.
O som metálico e pesado dos portões se abrindo ecoou pelo corredor escuro. Passos lentos e ritmados anunciaram a chegada do predador.
Azael materializou-se diante das grades de ferro. Ele estava envolto em seu manto n***o, a postura tão rígida e impecável que parecia imune ao ambiente degradante. Suas runas vermelhas pulsavam lentamente sob a camisa, a única fonte de luz e calor no corredor escuro.
## O Calor no Gelo
Azael parou diante da cela, olhando para ela de cima com seu habitual desdém aristocrático. Ele estalou os dedos e, com um sopro de sua vontade, uma barreira de calor rúnico invisível formou-se ao redor de Elena, repelindo o ar congelante da masmorra. Ele resistia com todas as forças ao impulso de abrir a grade e puxá-la para si, mas sua voz manteve-se cortante como gelo.
— Confortável, humana? — perguntou ele, arqueando uma sobrancelha escura. — Um cenário mais adequado para quem foi acusada de conspirar contra o trono.
Elena sentiu o calor repentino acariciar sua pele e soltou um riso soprado, erguendo o olhar para encontrar as fendas de ouro líquido dele.
— O senhor tem um conceito muito peculiar de punição, Milorde — rebateu ela, mantendo a voz calma e ignorante das provocações dele. — Isola-me em uma cela fria, mas me envolve em sua magia quente. Se queria que eu sofresse, deveria ter esquecido de me aquecer.
Azael travou o maxilar. O comentário dela atingiu em cheio sua tentativa de parecer indiferente. Ele deu um passo à frente, segurando as barras de ferro frio com as mãos nuas — o metal chiou levemente contra sua pele imortal, mas ele sequer piscou.
— Não se lisonjeie, Elena — sibilou ele, a arrogância vibrando em seu tom de voz. — Eu apenas não permitirei que você morra de hipotermia antes que eu decida o seu destino. Uma prisioneira morta não pode me dar as respostas que eu quero. E eu exijo a verdade sobre aquele pergaminho.
— A verdade está bem diante dos seus olhos dourados, mas o seu orgulho o impede de enxergar — Elena levantou-se lentamente do banco de pedra, caminhando até a grade. Ela parou a poucos centímetros dele, separada apenas pelo ferro. — Valerius plantou aquela carta. Ele e Lilith estão usando a minha presença para testar a sua estabilidade. Eles querem ver se você vai me matar para provar que ainda é o monstro implacável de sempre, ou se vai hesitar.
## A Máscara Rachada
Azael inclinou o rosto para perto das grades, o hálito quente de tempestade tocando o rosto de Elena. Seus olhos brilharam com uma fúria reprimida — uma fúria dirigida não a ela, mas à sua própria incapacidade de simplesmente dar as costas e deixá-la ali.
— Eu sou o senhor deste reino, humana. Eu não hesito — afirmou ele, cada palavra pronunciada com uma precisão cirúrgica. — Se eu descobrir que há um único traço de traição em você, eu mesmo arrancarei o seu coração. Mas... — ele hesitou por uma fração de segundo, os olhos descendo involuntariamente para os lábios dela antes de retornarem aos azul-tempestade. — Eu já ordenei que Balthazar investigue os aposentos de Valerius. Ninguém joga com o meu nome no meu próprio palácio.
Elena sustentou o olhar dele, percebendo a sutil f***a em sua armadura. Ele ainda fingia frieza, ainda fingia que ela era apenas um estorvo insignificante, mas suas ações — a proteção, a investigação secreta, a própria presença dele ali no meio da noite — contavam uma história completamente diferente.
— Você está resistindo muito, Azael — sussurrou ela, uma ousadia silenciosa desenhando-se em seu rosto. — Resistindo a admitir que se importa se eu vivo ou morro. Resistindo a admitir que a traição que você mais teme... é a do seu próprio peito por uma humana.
Azael rosnou baixo, um som puramente animal que ecoou pelas paredes de pedra. Suas garras de obsidiana cresceram levemente, arranhando o ferro frio da cela com um som estridente.
— Você testa a minha paciência como nenhuma outra criatura jamais ousou, Elena — disse ele, a voz descendo a um tom sombrio e carregado. — Lembre-se de onde você está. Um passo em falso, e eu farei você se arrepender de ter nascido.
Ele virou as costas abruptamente, incapaz de continuar sob o escrutínio daqueles olhos azuis que pareciam ler sua alma imortal. Antes de cruzar o portão, ele parou na penumbra do corredor, sem olhar para trás.
— Você permanecerá aqui até que a investigação termine. É o único lugar onde os meus generais não podem tocá-la... e onde eu não preciso ver o seu rosto.
Ele desapareceu nas sombras, deixando para trás o eco de seus passos e a barreira de calor rúnico que continuava a manter Elena aquecida na escuridão. O lorde de Obsidian continuava a lutar contra suas próprias correntes, sem saber que o tempo para evitar a tempestade que se formava em sua corte estava se esgotando.