# Capítulo 18: O Desfiladeiro de Cinzas
A humidade das masmorras foi rapidamente substituída pelo vento cortante e seco do deserto de cinzas. Elena apertava o manto de viagem contra o peito, sentindo o tecido áspero irritar a pele sensível de seu pescoço. Seus pés, protegidos apenas por sapatilhas finas de serva, afundavam na poeira cinzenta a cada passo que dava pelo caminho rochoso do desfiladeiro.
O mapa que Lilith lhe entregara pesava em suas mãos. Ela não precisava ser uma estrategista militar para entender que a rota era uma armadilha óbvia: as paredes de rocha vulcânica se estreitavam à sua frente, criando um funil perfeito onde qualquer fuga seria facilmente encurralada.
*Eles querem que eu seja vista*, pensou Elena, sua mente trabalhando sob uma lucidez fria enquanto limpava a fuligem que cobria seus olhos. *Querem que eu pareça uma traidora fugitiva para que Azael seja forçado a me matar diante dos generais.*
Ela olhou para o céu. A lua de sangue estava quase completamente coberta pela sombra da terra, restando apenas um anel escarlate e doentio que banhava o desfiladeiro com uma luz espectral. O eclipse estava no ápice.
## O Cerco das Sombras
Um estalo de pedra quebrada ecoou à frente.
Elena parou abruptamente. O silêncio do desfiladeiro foi quebrado pelo som metálico de armaduras rúnicas e pelo sibilar baixo de montarias demoníacas. Das sombras das rochas altas, cinco soldados da patrulha de fronteira emergiram, com suas lanças de ferro frio apontadas diretamente para ela.
No centro deles, cavalgando uma b***a de Obsidian, estava o Marquês Valerius. Ele não usava mais a máscara de conselheiro polido; sua expressão era de pura antecipação triunfante.
— Ora, ora... o que temos aqui? — a voz de Valerius ecoou pelo desfiladeiro, carregada de um escárnio c***l. — A estimada convidada do nosso Lorde, rastejando pela fronteira como uma rata, carregando os mapas de nossas defesas.
Elena manteve a cabeça erguida, embora seu coração batesse contra as costelas como um pássaro enjaulado. Ela não correu. Recuar apenas daria a eles o pretexto de que precisavam para abatê-la pelas costas.
— Você é muito previsível, Marquês — Elena disse, a voz ecoando firme no corredor de pedra. — Lilith abre a cela, você monta a emboscada. Vocês realmente acham que Azael é tão cego assim?
Valerius soltou uma gargalhada ríspida, descendo de sua montaria com uma elegância afetada. Ele caminhou até ela, arrancando o mapa de suas mãos com um safanão bruto.
— Azael está acabado, humana. O orgulho dele o impedirá de admitir que a fêmea que ele marcou com seu selo real o traiu. Quando os generais de fronteira virem este mapa em suas mãos, a autoridade dele desmoronará. Você cumpriu o seu papel. Agora, sua utilidade termina com a sua morte.
O marquês desembainhou sua espada de aço rúnico. A lâmina brilhou com uma runa de fogo azul, pronta para atravessar o peito dela e selar a farsa da "traidora executada em fuga".
Elena fechou os olhos por uma fração de segundo, preparando-se para o impacto, mas não para a rendição. No entanto, antes que a lâmina de Valerius pudesse se mover um único centímetro, a temperatura no desfiladeiro despencou drasticamente.
## A Sombra do Protetor
Um som violento, como o rasgar de uma cortina de ferro, ecoou nos céus.
Uma imensa silhueta n***a despencou das nuvens de cinzas, colidindo contra o solo do desfiladeiro com a força de um meteoro. O impacto foi tão brutal que a terra tremeu, jogando os soldados de Valerius ao chão e fazendo as rochas ao redor racharem.
Quando a poeira de cinzas baixou, Elena abriu os olhos.
Azael estava de pé entre ela e o marquês. Suas imensas asas negras estavam totalmente abertas, bloqueando a visão de Elena do resto do mundo, como um escudo vivo de garras e penas de aço. Suas runas no peito e nos braços não estavam apenas brilhando; elas queimavam em um escarlate vivo e violento, emitindo uma fumaça n***a de pura energia destrutiva.
O lorde demônio não olhou para trás, para Elena. Mas ela pôde sentir, através do selo mágico em sua pele, a onda de alívio possessivo e fúria assassina que emanava dele. Ele a havia encontrado. E ele estava pronto para rasgar o inferno ao meio para mantê-la viva.
— Valerius — a voz de Azael não era mais um sussurro; era o próprio rugido do abismo, fazendo o aço das espadas dos soldados vibrar de terror. — Você realmente acreditou que eu não veria os passos de uma serpente rastejando no meu próprio jardim?
Elena, mesmo no meio do perigo, sentiu um arrepio involuntário percorrer sua espinha. O teatro havia acabado, e o verdadeiro predador de Obsidian havia finalmente se revelado.