capítulo 16

845 Words
# Capítulo 16: O silêncio das masmorras de ferro era uma cortina fina que escondia o caos iminente. No andar de cima, no entanto, o Palácio de Espinhos operava sob a falsa sensação de que o Marquês Valerius havia vencido o primeiro round do jogo de poder. Nas primeiras horas da madrugada, Valerius cruzou os jardins de cinzas em direção à ala privada da Duquesa Lilith. Ele não se escondia mais com o mesmo cuidado; a seus olhos, Azael estava fragilizado, trancado em seu gabinete sob o peso da suposta traição da humana. — Ele não vai executar ainda — sibilou Lilith assim que o marquês fechou a porta pesada de carvalho n***o. Ela andava de um lado para o outro, as unhas cinzentas arranhando a borda de uma mesa de pedra. — Azael hesitou no trono. Você viu? Ele a levou para as masmorras pessoais dele em vez de arrancar a cabeça dela diante de nós. O selo rúnico de calor que ele colocou ao redor daquela maldita humana ainda está ativo. Eu sinto a assinatura mágica dele vibrando no subsolo. Valerius soltou um riso anasalado, servindo-se do licor de bagas sangrentas de Lilith. — Deixe que ele hesite, minha cara duquesa. Isso só joga a nosso favor. A hesitação de um rei é o banquete dos conspiradores — o marquês inclinou-se sobre a mesa, os olhos brilhando com a ganância de quem já via a coroa ao alcance das mãos. — O mensageiro que enviei às colinas do sul já retornou. Três de nossos generais de fronteira morderam a isca. Eles acreditam que Azael está sob o feitiço de uma mortal e que Obsidian está vulnerável. Eles estão movendo suas legiões silenciosamente sob o pretexto de reforçar as defesas da fronteira de Oakhaven. — E qual é o próximo passo? — Lilith estreitou os olhos pretos. — Se Azael descobrir... — Ele não vai descobrir . Azael está orgulhoso demais, ocupado tentando convencer a si mesmo de que não se importa com a fêmea . Amanhã à noite, durante o eclipse da lua de sangue, nós daremos o xeque-mate. Vamos subornar o guarda da masmorra, libertar a humana e simular a sua fuga com mapas reais das defesas internas. Quando ela for capturada na fronteira com esses documentos... Azael não terá escolha a não ser matá-la para salvar a própria honra. E quando o fizer, a revolta dos humanos em Oakhaven será o estopim que precisamos para que nossos generais marchem sobre o palácio e reivindiquem o trono. Lilith sorriu, uma expressão de puro sadismo cruzando seu rosto perfeito e cinzento. — Eu mesma quero abrir a cela dela — sussurrou a duquesa. — Quero ver o rosto daquela insolente quando ela perceber que sua pequena mentira de sobrevivência acabou. Eles não sabiam, no entanto, que cada sussurro proferido naquele quarto estava sendo gravado. Na penumbra do corredor adjacente, camuflado por uma runa de ocultamento absoluto que apenas o soberano de Obsidian saberia moldar, Balthazar ouvia tudo. Seus olhos vermelhos brilhavam com um desprezo frio pelos dois traidores que achavam que sabiam jogar. Minutos depois, o general de elite materializou-se no gabinete de Azael. O lorde demônio não estava descansando. Ele estava diante de uma imensa mesa de ferro onde um mapa holográfico e mágico do palácio flutuava, mostrando pequenos pontos de luz que representavam o movimento das tropas rúnicas na fronteira. — Eles morderam a isca, Meu Lorde — relatou Balthazar, curvando a cabeça. — Valerius planeja libertar a humana amanhã à noite para simular uma fuga com mapas reais. Eles querem que o senhor a execute na fronteira para desestabilizar os dízimos humanos e iniciar a rebelião. Azael ergueu a cabeça lentamente. Suas fendas douradas brilharam com um fulgor mortal e calculista. O canto de sua boca se elevou em um sorriso frio, desprovido de qualquer humor. — Mapas reais, Balthazar? — Azael arrastou a voz, deliciando-se com a estupidez de seus oponentes. — Excelente. Garanta que o guarda da masmorra aceite o suborno de Valerius sem levantar suspeitas. Deixe que eles abram a cela. Deixe que eles pensem que a humana está escapando. — O senhor vai permitir que ela saia do palácio? — Balthazar arqueou uma sobrancelha, surpreso com o risco. — Ela não sairá do meu campo de visão por um único segundo — a voz de Azael desceu a um registro baixo, quase um rosnado possessivo que ele não conseguiu conter. As runas em seu peito pulsa em resposta à menção da segurança dela. — Deixaremos que eles executem o plano até o momento em que acharem que venceram. Quando Valerius tentar "capturar" Elena na fronteira para expô-la, eu estarei lá. Mas não para matá-la. Eu estarei lá para arrancar a cabeça de Valerius diante de seus próprios generais amotinados. O lorde demônio caminhou até a janela, observando a lua que já começava a assumir um tom avermelhado no horizonte. — Deixe-os brincar de traição por mais uma noite, Balthazar. Amanhã, o eclipse de sangue não trará a queda de Azael... trará o banquete das minhas lâminas.
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