Capítulo 7

842 Words
Nathaly Fechei meus olhos por um segundo e acabei caindo no sono mesmo com o barulho alto dos carros me deixando tonta. Eu sabia que provavelmente Liam não viria me procurar e me deixaria apodrecendo na rua como punição pelas coisas que fiz. Aceitei meu destino, ele me trouxe pra cá justamente para a bendita punição, mas o que ele pretende fazer depois que terminar de se divertir com a minha desgraça? Será que ele vai mandar me matar como já falou? Honestamente, neste momento estou preferindo a morte do que continuar vivendo assim. Sim, meu pensamento acabou de mudar. Pela manhã eu não me odiava tanto, mas agora que consegui me perder da forma mais i****a possível me odeio mais do que tudo. Senti um chute na minha perna e pulei no lugar. Olhei para a figura na minha frente que me presenteou com um sorriso grotesco e com muito mais maldade do que eu estou acostumada. _ O que você tem aí, loirinha? O homem à minha frente está usando um casaco vermelho de capuz, não consigo ver com nitidez seu rosto, mas aparentemente é um homem de meia idade. Agarrei minha sacola com força e o dinheiro que peguei está dentro do meu sutiã. _ Nada! Falei grosseiramente. Ele riu de novo e puxou meu braço muito rápido, fazendo-me cair de joelhos no chão. Olhei para todos os lados e o local estava vazio de pedestres. _ Me dá! Disse ele rosnando. Ele começou a puxar a sacola das minhas mãos e tentei ao máximo não deixar. Quando ele conseguiu e viu o conteúdo jogou no meu rosto. _ Você tem dinheiro aí, não tem? _ Não! Praticamente me abracei. O assaltante, sem escrúpulo nenhum, acertou um chute no meu rosto, me deixando completamente tonta e me fazendo gritar de dor. Ele enfiou a mão dentro da minha blusa e por mais que eu debatesse ele continuou procurando até que encontrou dentro do meu sutiã as notas que havia conseguido a poucas horas atrás. Ele tirou o dinheiro e começou a contar na minha frente, rindo e debochando da minha incapacidade de me defender. Pensei que seria meu fim quando ele tirou uma faca da cintura, mas a voz que eu menos esperava ouvir chamou sua atenção. O assaltante correu para a escuridão da praça e o homem que sempre faz questão de me humilhar e acabar com a minha estima se aproximou. Esperei por mais humilhação, já que já estava estirada no chão feito um fardo de feno velho. _ Ei… você está bem? Permaneci do jeito que estava, incapaz de chorar ou fazer qualquer coisa. Estava odiando tudo, odiando a minha vida, meu passado e odiando o futuro que me esperava. Liam segurou meu braço e me colocou sentada. Quando ele me puxou para ficar em pé não consegui. A vergonha pesou nos meus ombros de uma forma surreal. _ Peguem ela e coloquem no carro. Ordenou Liam. Ele sente tanto nojo de mim que é incapaz de sequer me ajudar. _ Eu ando. Respondi com murmúrio. Levantei tonta e com o rosto doendo. Meus joelhos e meus cotovelos estavam ralados e os botões da minha blusa estavam arrebentados. _ Eu tenho um compromisso agora, certifiquem-se de que ela fique dentro do apartamento. Disse Liam. Ele virou as costas e entrou em um carro prateado, enquanto um dos seus seguranças me guiou até um carro todo preto. Quando a porta se fechou respirei fundo, contendo toda a mágoa e tristeza de dentro do meu coração. Porém, quando o carro luxuoso estacionou na frente no prédio ainda mais luxuoso, não consegui me conter. _ Por favor… não me deixe aqui! Eu.. eu quero voltar para casa! Implorei ao homem que dirigia. Ele virou o corpo para trás e encarou meu rosto com a testa franzida. Ele não disse nada, apenas desceu do carro e abriu minha porta. Desci em prantos, apavorada. Quando Liam voltar certamente vai descontar muita coisa em mim. O homem caminhou comigo até a porta, e quando entrei ele entrou junto. Agarrei meu próprio corpo enquanto caminhava até o quarto em que fico. Ele abriu a porta para que eu entrasse, ainda em silêncio. Comecei a sentir náusea e tive que correr até o banheiro. Enquanto colocava o pouco que comi durante o dia para fora senti uma presença atrás de mim, e logo em seguida as mãos do motorista segurando meus cabelos. Ele apoiou outra mão nas minhas costas. Quando terminei de vomitar ele me ergueu e me colocou na cama. Estava fraca, triste e havia perdido a única coisa de valor que ainda me restava. Uma mera lembrança de Oliver, mas que me trazia o calor do Texas e da cama do cowboy. O homem desconhecido sumiu da minha visão, e quando retornou estava com uma bandeja em mãos com um lanche. _ Obrigado. Murmurei. Ele permanecia indecifrável, me encarando com olhos escuros e que me faziam arrepiar. Depois de comer senti muito sono, até que apaguei completamente, ainda debaixo daquele olhar horripilante.
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