O sol da primavera já havia surgido com confiança sobre a cidade quando, relutantemente, me levantei da cama. Após a operação da noite anterior, todos os detetives haviam recebido meio dia de folga, e eu aproveitei ansiosamente o tempo concedido para recuperar o sono. Eram pouco mais de dez horas quando me preparei para minha corrida matinal em um pequeno parque próximo. Eu costumava fazer isso com o Detetive Marshall, que morava a quatro quarteirões de distância, mas ele provavelmente já estava trabalhando na delegacia.
Kathryn Hill
Um conjunto confortável de leggings brancas e um top, sobrepostos a um moletom leve, criaram a roupa perfeita para malhar. Prendi meu cabelo em um r**o de cavalo alto e saí do apartamento. A música animada nos meus fones de ouvido me animou, mas não me impediu de refletir sobre os acontecimentos dos últimos dois dias. As coisas tinham desmoronado novamente no trabalho. Assim que a chance de desvendar o misterioso emaranhado de tecido 4M parecia surgir, ela rapidamente desapareceu... E então havia aquele homem desconhecido que não saía da minha cabeça. Depois de terminar minha corrida, eu estava caminhando para casa quando senti um carro me seguindo. De repente, meu celular vibrou, chamando minha atenção para a tela brilhante. Um número desconhecido... mas eu não sou paranoica, então quase sempre atendo essas ligações. " Bom dia, Srta. Hill. Esta roupa combina muito mais com você do que a de ontem."
Eu não sabia que meu rosto estava atrás de mim. Vai me seguir assim, misteriosamente?” A ligação terminou. O carro acelerou bruscamente e, ultrapassando-me com um ruído ameaçador do seu motor potente, freou. A porta do motorista se abriu e meu perseguidor se revelou. Hoje ele vestia um terno cinza com uma camisa branca como a neve, cujos botões de cima estavam desabotoados, o que fazia seu pescoço forte parecer ainda mais expressivo… Droga! Estou caindo no charme dele de novo! As aparências enganam! As aparências enganam… Continuei repetindo essas duas palavras para mim mesma até ser interrompida pela voz mais comum, banal e nada charmosa. “É muito tarde para uma corrida matinal? Pensei que você já estivesse ocupada prendendo traficantes”, disse o Sr. Baker, segurando duas xícaras de café. “Como você conseguiu meu número e como sabia onde eu estava?” — Nosso diálogo começa novamente com suas perguntas nada amigáveis. — Não somos amigos, nem mesmo bons conhecidos, então não somos obrigados a ser amigáveis. — Acho que amizade é a última coisa que pode existir entre nós — disse o Sr. Baker, sorrindo e me entregando um dos copos. — Eu te acompanho até em casa. — Me tratando sem meu consentimento de novo? — Peguei a bebida de suas mãos. — O senhor ainda não para de me dar motivos para prendê-lo, Sr. Baker... Perseguição é crime Caminhamos lentamente para frente e tomei o primeiro gole. — Não vamos perder tempo com conversas vazias. Mesmo que sejam bastante agradáveis com o senhor, sua casa não é tão longe. — O Sr. Baker me olhou, seu olhar demorado. — Você concorda em cooperar comigo? — Pelo que me lembro, havia alguma condição que o senhor não teve tempo de mencionar. — Certo... Quero que você jante comigo — disse ele inesperadamente. Fiquei tensa e parei, sem acreditar no que ouvia. “Ouvi direito? O senhor está me convidando para jantar?” O Sr. Baker também parou e nos viramos um para o outro. “Fui bem claro.” Sua franqueza surpreendente me fez sorrir nervosamente. “Eu já disse que gosto de combinar negócios com prazer.” “Qual é a pegadinha?”, perguntei, intrigada. “Senhorita Hill, pare de complicar o elementar e ignorar o óbvio. Estou interessado em você como mulher e quero passar a noite com você para que possamos ter uma conversa descontraída sobre um assunto que nos interesse a ambos.Como assim?” “O que te surpreende tanto? Achei que não havia nada de anormal nisso”, o Sr. Baker deu uma risadinha. “Sou um homem, você é uma mulher… inteligente e atraente. Meu interesse se explica facilmente pelas leis da natureza.” “E até onde esse interesse natural se estende além do seu quarto?”, perguntei ironicamente. “Você acha que meu objetivo final com você é sexo?” “Infelizmente, isso só pode ser determinado pela experiência.”o que não tenho intenção de fazer por vários motivos. — De onde vem tanto cinismo nesse corpo tão gracioso? Uma experiência triste? — Isso não é da sua conta — respondi bruscamente. — Digamos que sim, mas seja como for, um simples jantar não a obriga a dormir comigo. Nos aproximamos da minha casa. — Você está perdendo seu tempo. Independentemente da natureza das suas intenções, sou categoricamente contra misturar trabalho e vida pessoal, e você é suspeita no caso que estou investigando — desviei o olhar. — Você é minha responsabilidade, Sr. Baker. — Você nem me dá uma chance de provar o contrário? Permaneci em silêncio, tentando esconder a dúvida nos meus olhos, mas era evidente em seu rosto que meus esforços não haviam dado resultado. — Eu entendo. — Os cantos de seus lábios se curvaram levemente para cima. — Vamos fazer assim? Pense bem a respeito e amanhã à noite, quando eu a buscar para jantar, você me dará sua resposta... não em palavras, mas com a sua aparência. Acho que você, como qualquer mulher, não terá dificuldade em usar essa linguagem para me dizer que tipo de reunião será: puramente profissional ou... algo mais. Meus lábios se entreabriram em surpresa."Dou minha palavra de que aceitarei humildemente qualquer resposta que me der", acrescentou o Sr. Baker. "Amanhã à noite?", repeti. "Sim, por volta das nove horas. Você já terá terminado o trabalho, certo?" Olhei para ele atentamente, com uma incerteza assustadora. Um conflito surgiu dentro de mim: minha mente consciente, que insistia em interrompê-lo e recusar veementemente, e meu subconsciente, que já havia se decidido. "Tenha um bom dia, Sr. Baker. Obrigada pelo café."Você já terá terminado até lá, não é? Olhei para ele atentamente, com uma incerteza assustadora. Um conflito surgiu dentro de mim: minha mente consciente, que insistia em interrompê-lo e recusar-me veementemente, e meu subconsciente, que já havia tomado sua decisão. "Tenha um bom dia, Sr. Baker. Obrigado pelo café."Você já terá terminado até lá, não é? Olhei para ele atentamente, com uma incerteza assustadora. Um conflito surgiu dentro de mim: minha mente consciente, que insistia em interrompê-lo e recusar-me veementemente, e meu subconsciente, que já havia tomado sua decisão. "Tenha um bom dia, Sr. Baker. Obrigado pelo café." Caminhei em direção à porta da frente do alto prédio onde ficava meu apartamento, no vigésimo quinto andar. "Senhorita Hill?", ele chamou. Parei e me virei parcialmente, encontrando seu leve sorriso. "Amanhã, às nove. Esteja pronta.
Minha conversa matinal com o Sr. Baker havia perturbado seriamente a paz interior que eu havia conquistado após uma boa noite de sono e uma corrida produtiva no parque florido. Mas quando Tate me ligou com urgência pedindo que eu fosse à delegacia, sem realmente explicar nada, percebi que minha ansiedade anterior era apenas um prenúncio de algo maior. Me arrumando rapidamente, atendi imediatamente ao pedido do meu amigo. Assim que pisei os pés nas dependências do departamento, encontrei meu chefe, que já havia conseguido descarregar mais uma dose de negatividade e agressividade em mim. "Onde você está mesmo?!" Peter rosnou. "Se bem me lembro, nos deram meio dia de folga, Agente Especial Sênior." "Esses conceitos não deveriam ser familiares a funcionários federais!" Revirei os olhos discretamente, decidindo ignorar a irritabilidade crônica de Peter.