- Ele não vai me deixar sair. - Ágatha falou pela milésima vez.
- Ah, ele vai. - respondi no ato.
Continuamos andando até a barreira, quando chegamos, encarei o Nemo, que retribuiu o olhar.
- Vai, Ágatha. - falei e ela foi.
- Ela não vai. - Nemo rebateu e me encarou.
- Você manda nela, Cinderela? - debochei e ele levantou.
Na real, Ágatha não ia sair com ninguém, só queria provocar, e eu estava ajudando.
- Tá querendo confusão de novo? - Nemo colocou uma mão pra trás.
Já entendi que ele estava com a mão na arma, e coloquei a mão pra trás também.
- Atena. - Ágatha me chamou.
- Tô tranquila. - falei. - Vai querer Cinderela? - provoquei.
Nemo puxou a arma e apontou pra mim, fiz o mesmo. Puxei Ágatha pra trás e encarei ele.
- Foi por isso que ela te largou. - falei. - Você é um moleque.
- Que zona é essa aqui? - Souza parou a moto entre nós e nos encarou. - Abaixa a arma Atena.
- Não. - falei firme. - Quem garante que ele não vai me dar um tiro?
- Abaixa Nemo. - falou olhando pra ele. - Abaixa p***a.
Nemo abaixou, mas continuou me olhando com ódio. Souza se virou pra mim, abaixei a arma e sustentei o olhar.
- Cê tá me dando muita dor de cabeça. - falou.
- Toma remédio. - rebati.
- Vamo Atena. - Ágatha me puxou.
- Eu não vou deixar ele mandar em você. - esbravejei andando junto com ela.
- Ele me ama, é o jeito dele de demonstrar. - respondeu.
- E você ama ele. - resmunguei. - Mas vocês tem que conversar isso hein. - dei um empurrãozinho nela.
- Ah, claro! - respondeu rindo. - Como se desse pra conversar.
- Tenho certeza que a Cinderela te ouve. - falei. - Só você.
- É assim mesmo. - falou com um sorrisinho.
- Então espera aí. - me soltei dela e voltei pra barreira.
Agatha não perdeu tempo, e veio atrás. Assim que me viu, Nemo pulou da moto e veio pra perto, Souza demorou pra perceber, mas veio rápido também.
- Ela vai sair com você hoje. - falei encarando o Nemo.
- Que horas? - perguntou ainda meio bolado.
- Oito. - respondi.
Nós dois nos encaramos mais um pouco, assentimos um pro outro e fizemos toque. Me virei e sai com a Ágatha.
- Foi o diálogo mais bizarro que eu já vi. - falou rindo.
- Eu sou séria p***a. - respondi com um sorrisinho.