Capítulo Dois - 1

848 Words
Parte 1.. Norton — Agora você quer que eu faça o que, Norton? Eu estou almoçando em um de meus restaurantes preferidos, de frente para a praia, com meu amigo Luiz. Comentei com ele sobre a ideia louca que me passou pela cabeça, sobre conseguir uma falsa namorada para que minha mãe me deixe em paz por um tempo. — Quero que me consiga alguém para servir de namorada fake. — Só para agradar sua mãe? - ele ri balançando a cabeça. — Eu sei que isso é ridículo, mas se minha mãe gostar da garota e achar que eu tenho algo sério com ela, vai ficar mais tranquila e me deixar em paz - me inclino para a frente — E vai focar nos meus irmãos. Luiz dá uma gargalhada. O garçon chega trazendo nosso pedido e se afasta. Eu digo mais ou menos o que quero. — Minha mãe é muito religiosa - torço a boca — Daquele tipo que vai à igreja toda semana, que vê padre na tevê.. Essas baboseiras - rodo os olhos — Só isso já ocupa um pouco o tempo dela. O resto do tempo ela fica fazendo as caridades dela e depois me enchendo o saco. — Mas como eu vou saber o que vai te agradar de fato? Não tem nenhuma mulher para o papel? — Você está louco, Luiz - gargalho — Nenhuma das mulheres com quem eu saio dá para participar disso. Elas vão querer se aproveitar. Conheço bem o modo delas pensarem. Encho meu copo e tomo um gole da cerveja gelada, refrescando o calor que faz. Nem aqui na praia o tempo dá uma folga. Até o vento está vindo quente. — E você já pensou nesse plano maluco? — Mais ou menos - fiz uma careta balançando o corpo — Eu acho que se conseguir alguém para o papel, que se encaixe no que minha mãe espera, ela pode ficar feliz e isso vai me dar uma folga. — De quanto tempo? — Ah... Sei lá... - dei de ombros — Pelo menos uns três meses. Depois eu vejo como fazer. O importante é ter uma folga inicial e depois disso eu posso planejar outra coisa. Luiz deu risada jogando a cabeça para trás. Ele acha engraçado, mas eu sei o quanto é chato ter minha mãe na minha cola. Uma vez ou outra tudo bem, dá pra passar, mas ouvir a mesma conversa várias vezes começa a ficar cansativo e irritante. Continuamos nossa conversa, tentando achar um ponto onde eu tivesse sorte, mas nenhuma das mulheres que citamos daria para desempenhar esse papel de coadjuvante de minha vida. — Cara, eu sou teu amigo e gosto muito de você, mas preciso falar... Você é muito arrogante. Pelo amor de Deus - dá outra gargalhada. — Me poupe, Luiz. Você também não é nenhum santo. — Eu sei que não, mas inventar uma namorada é demais, né. Eu torço a boca. Pode até ser, mas faço tudo para minha mãe parar com essa conversa mole de relacionamento. — Vamos... Sugira nomes - bati as mãos rápido. Luiz dá uma risada alta e balança a cabeça. Começa a citar nomes de conhecidas, mas vou descartando todas. ********** ********** Cristina Finalmente cheguei na casa de Pauline. Tive que andar um pouco ainda, até chegar aqui, mas pelo menos o bairro aqui é mais seguro. E como não seria? É tudo tão diferente, parece outro país. Um bairro tão bonito, de classe alta, com tudo organizado, praças cheias de flores, bancos de madeira, o asfalto lisinho. É assim. Uma diferença enorme do bairro onde eu moro. Infelizmente a vida é assim, não posso reclamar porque isso não depende de mim. Paro na guarita e digo meu nome para o rapaz que está no posto e ele liga lá para dentro. Depois de um momento ele vem abrir o portão de pedestre me deixando entrar. — Obrigada - dou um sorriso de leve. Vou caminhando até a porta da frente que já está aberta e a empregada me recebe com um sorriso. — Oi, como está? — Estou bem, obrigada - entro e paro ao lado dela. — A dona pauline está lá na sala de visitas. Agradeci e segui. Eu já estive aqui antes, faz muito tempo. Não sei como é a casa toda, mas conheço essa parte. Entrei na sala e vi Pauline sentada em um poltrona grande, perto da janela com uma revista na mão. — Boa tarde, Pauline - disse com educação. Ela levanta a cabeça e sorri ao me ver. — Oi, querida, venha - faz um gesto com a mão — Veio mais cedo do que esperava. — É que eu tenho aula na faculdade mais tarde e por isso aproveitei a folga quando saí do trabalho. — E está tudo bem lá? — Está sim. Sentei na outra poltrona e fiquei conversando com ela um pouco. Foi bom para descansar as pernas e também a empregada apareceu trazendo um suco gelado que foi ótimo para mim. Ajudou a refrescar o calor.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD