DIANA
Acordo com os primeiros raios de sol filtrando-se pelas cortinas do quarto de Nathaniel, lembranças da noite se espalham imediatamente em torno de mim. Sinto a suavidade dos lençóis contra a minha pele e a falta dele ao meu lado.
Estico os braços, tentando espantar o torpor que ainda estava sobre mim. Olhei ao redor, e encontrei um papel acima de mim.
"Gostaria de estar te vendo acordar agora mas tive que ir trabalhar, sinta-se a vontade para comer o que quiser. Tem café pronto.
Ps: Espero repetir logo, então não demore a entrar em contato."
Sinto minhas bochechas ardendo, Levanto-me devagar, sentindo a piso frio do chão sob os meus pés. Caminho até a janela, abro-a e deixo que a brisa fresca entre toque meu rosto. E com um último suspiro profundo, preparei-me com coragem para dar o próximo passo em mais um capítulo da minha vida.
Ao abrir a porta de casa, o cheiro familiar do meu lar acolhedor me envolveu. O ar estava impregnado com o cheiro do Café que Noah havia preparado, a Estefânia sempre disse que se casaria com alguém que cozinhasse já que ela odiava o trabalho. Ele estava na sala, de pé, organizando algumas coisas, e ao me ver, seu rosto mostrava um sorriso do tipo: "sei exatamente o que você andou fazendo".
– Olha só, você está de volta!
– Oi, coleguinha! Entendo que você esqueceu que tem uma casa, mas e seu trabalho? – Pergunto, brincando com ele, na verdade gosto quando Noah passa essas temporadas aqui porque tudo fica perfeitamente arrumado, apesar da amiga bagunceira que tenho.
– Tenho que estar lá às 10h e a sua faculdade? – E é nesse momento que me lembro. Era 8h30, eu precisava me apressar para conseguir chegar às 9h para a primeira aula.
– Preciso correr, ainda tenho que me arrumar! Pode me dar uma carona? – Junto as mãos implorando.
– Só hoje, porque você lembrou de mandar o emoji... Mas precisava ser um semáforo? – Dou risada e passo direto.
Subo as escadas, indo em passos no corredor. Ao entrar no meu quarto, fecho a porta atrás de mim e jogo minha bolsa em um canto. Começo a tirar a roupa de ontem que ainda vestia, trocando-a por uma blusa confortável e um jeans azul escuro de cintura alta que era meu favorito. Olhei-me no espelho e passo os dedos pelo cabelo, decidindo que hoje seria um dia difícil, mas eu seria confiante.
Enquanto escolho uma pulseira para completar o look, ouvi Noah me chamando lá embaixo. Com um último ajuste no cabelo e um toque de perfume, finalmente estava pronta.
[...]
Saio da faculdade, sentindo um grande alívio. O dia havia sido longo e cansativo, e a expectativa de encontrar Estefânia me deixava nervosa. Ao abrir a porta de casa, não a vejo me esperando em lugar nenhum, talvez ainda esteja no trabalho, caminho na ponta dos pés.
Subo as escadas lentamente, com o coração acelerado, abro a porta bem devagar fazendo o mínimo de barulho e ao entrar no quarto, encontro Estefânia sentada na minha cama, com um olhar muito sério. Estefânia não falou nada de imediato, mas a expressão no rosto dela deixava claro que esperava algumas explicações bem detalhadas da minha parte.
Respiro fundo e decido quebrar o gelo.
– Oi, Fani. – Começo, tentando soar tranquila. – Eu… eu sei que você está muito chateada. Mas preciso que me ouça primeiro. – Mesmo que eu não saiba exatamente o que dizer.
Estefânia me encarou, provavelmente buscando alguma sinceridade em minhas palavras.
– Por que você não me conta nada sobre o que está acontecendo? Eu pensei que pudéssemos compartilhar qualquer coisa uma com a outra.
Eu sabia que era hora de me abrir, mas também tinha medo de decepcioná-la.
– E nós podemos, claro, você é a pessoa em quem mais confio.
– Não é o que tá parecendo. – Olho nos olhos de Estefânia, respiro fundo e tento ser honesta, o máximo que posso.
– Fani...– Começo, um pouco hesitante. – Estou saindo com um cara. – Estefânia levantou as sobrancelhas, surpresa.
– Como assim "saindo"? Você está namorando? – Balanço a cabeça negando.
– Nao, eu até acho que estou gostando dele, mas não quero que você ache que é algo sério. Acho que posso dizer que a gente está se divertindo, mas não sei onde isso vai dar. Estamos indo com calma. – Fani sorri, parecendo aliviada e interessada.
– Ah, isso é legal, Di! Não estou aqui para te julgar, você sabe bem como foi meu começo com o Noah, e aturou todos os meus chiliques no processo. Não precisa apressar as coisas. O importante é que você se sinta bem e segura com suas próprias decisões. Se não é sério agora, tudo bem. Se não for nada sério no futuro, tudo bem também. Eu vou estar do seu lado, e se ele for um cachorro sem vergonha eu mesma chuto as bolas dele, afinal meu futuro marido é juiz, então na cadeia eu não fico. – Ela sorri e eu sorrio de volta, sentindo o apoio esquisito da minha melhor amiga.
– Obrigada Fani! Eu só não queria ficar escondendo isso de você. Eu valorizo muito essa conexão que temos, você é como minha alma gêmea. E quem sabe, se as coisas evoluírem, eu te apresento a ele mais para frente.
– Claro, te apoio completamente. – Responde, assentindo com a cabeça. – Aproveite o momento e veja para onde isso leva. E, se precisar de conselhos ou só quiser conversar sobre isso, estou aqui. – Fico aliviada pela compreensão da Fani. – Agora... Só me diz uma coisa... – Seu sorriso fica mälicioso. – Ele é gato?
– Muito gato. – Digo lembrando de bem mais do que o rosto.
– Que cara é essa em? Tá pensando em quê com essas bochechas vermelhas? – Encosto minhas mãos nas bochechas para esfriar.
– Não é nada... – Fani semicerra os olhos na minha direção.
– Não me vem com essa, me conte os detalhes mais sórdidos. – Fani me puxa para sentar ao lado dela e começa com suas perguntas cabulosas.