-parabéns você está grávida
Ela disse depois de me pedir pra levantar a blusa e abaixar a calça deixando minha barriga a mostra.
As palavras da médica gerou um eco dentro de mim, a palavra GRAVIDA GRAVIDA GRAVIDA ficava rodando bem na frente dos meus olhos, igual frango de padaria na assadeira.
Venho me sentindo m*l a uns dias,começou com enjoos matinais, muito sono e uma irritação com tudo.
Que era fora do comum, depois senti dor no pé da barriga, mas resolvi tomar alguns analgésicos.
Poderia ser gases, cólicas ou sei lá... nó nas tripas, os analgésicos ajudaram a amenizar a dor, então eu segui em frente.
Até que hoje eu sangrei de manhã em casa.
Aquilo me preocupou já que menstruei na semana passada,por isso vim até o pronto socorro.
Mas estava tão cheio que nem parecia plano de saúde, tá doido.
Cheguei 10:00h e já são quase 13:00h e ainda to aqui, e grávida.
Mano eu tô grávida
Pensei .
-voce quer que eu ligue pra alguém ?
Diante do meu estado catatônico ela se preocupou.
-nao...obrigada
Desci da maca, peguei minha bolsa e já ia saindo.
-ei calma aí,vou te passar alguns exames e orientações
-outra hora obrigada
Respondi e sai andando sem destino,eu estava sem reação e ao mesmo tempo parecia que ia explodir.
Eu queria um filho com Léo não é?
-sim
Respondi a mim mesma
-então porque tô me sentindo assim?
Sentei em um banco velho na praça central e fiquei olhando para o tempo.
Eu não queria falar com ninguém e ao mesmo tempo queria um abraço.
-será que já são os hormônios?
Perguntei pra mim mesma sem saber o que fazer, levei a mão até a minha barriga e a dúvida c***l me atingiu.
-eu quero ter esse filho?
-será que o Léo vai acreditar que o filho é dele?
Afinal a gente não se vê tem 2 meses, ele até tentou contato mas o dispensei todas as vezes que ele foi me procurar.
Bloqueei a entrada dele no meu prédio, e orientei o porteiro a sempre dizer que não estou, caso ele apareça.
No meu trabalho não foi diferente, a orientação é dizer sempre que estou em reunião e não posso atender.
Bloqueei ele nas redes sociais e não atendo nenhum número desconhecido,pra não correr o risco de ser ele.
Sai dos meus pensamentos com meu telefone vibrando na bolsa,olhei o visor e vi que era Carla.
-oi
-amiga cadê você?
Ela perguntou animada e então me lembrei que hoje era domingo, e marcamos o dia das meninas na piscina da Carla.
-eu tô..... é...
Me deu um lapso de memória repentino e eu não conseguia formular a frase
-amiga, você tá bem?
Senti o tom de Carla mudar de alegre para preocupado e ali eu desabei
-nao...eu não tô bem
Chorei igual criança.
-aonde você está?
Carla perguntou
- você está machucada?
Erica perguntou ao fundo
-o que houve?
Era a voz de Sabrina
-Maria está com problemas
Carla resumiu o caso e eu ri mentalmente sempre prática ela
-ela está chorando.
Erica disse nervosa
-passa a localização eu vou te buscar
Sabrina disse decidia, ela é a que resolve do grupo.
-to na praça velha
Funguei
-mas pode deixar eu tô de moto
Disse triste mas nem sabia o porquê
-nao.
Sabrina disse firme
-voce não vai pilotar assim.
Era Erica a voz da razão do quarteto
- a Sassá acabou de sair daqui, espera ela ai que ela já já tá chegando.
-ta bem
Me dei por satisfeita com o cuidado delas comigo.
-fica com a gente na linha até ela chegar tá ok?
Respirei fundo
-o que vocês fizeram de gostoso,estou com fome
Perguntei tentando distrair minha mente, as meninas engataram um assunto atrás do outro e logo vi a Captur vermelha de Sabrina.
O carro dela chama atenção igual a dona mesmo.
-ela chegou meninas até daqui a pouco.
Desliguei e entrei no carro
-o que tá pegando gata?
Sabrina sempre foi direta
-to grávida
Entao com ela não precisava enrolar, ela me encarou sem dizer nada por alguns segundos.
-e aí o que quer fazer?
Ela me perguntou mas sei que na cabeça dela, ela já tem a solução para tudo.
-ainda não sei
-ja contou para o Léo?
Fechei os olhos buscando minha paz interior
-acabei de descobrir
-ta feliz?
Neguei com a cabeça
-to perdida ainda. Nem triste, nem feliz.
Ela respirou fundo, 1,2,3 vezes e depois me encarou
-se quiser podemos resolver isso amanhã mesmo.
-o que?
A encarei
-até o terceiro mês da pra tirar e ninguém nunca ficará sabendo disso.
A frieza dela me assustou
-nem mesmo as meninas se você não quiser.
-nao eu não....
Passei a mão no meu rosto nervosa
-eu ainda não sei se quero fazer isso.
Ela continuou me encarando
-eu não ...não tive tempo tá legal?
Respondi grossa, mas era só o meu nervosismo,ou será os hormônios?
-tudo bem, não precisa decidir agora.
Ela segurou minha mão
-mas saiba que independente da decisão que tomar, eu estarei com você .
-obrigada
-vamos?
-sim
Fomos o caminho todo em silêncio, a real é que eu fiquei desconfortável com a sugestão imediata que a Sabrina deu para o meu filho.
Sei que ela não é muito fã de criança mas daí sugerir um aborto?
Achei pesado.
Chegamos na casa de Carla e elas nos esperavam na sala.
-amiga
Carla foi a primeira a vir me abraçar
-o que houve?
Ela me olhou de cima abaixo, procurando algum ferimento
-eu tô legal
Erica veio e me abraçou também
-desculpa ter preocupado vocês
Falei sincera agora com a cabeça mais fria, parece que tô fazendo tempestade em copo d'água .
-senta aqui
Carla me direcionou até o sofá caríssimo dela de pelo de leão,que o marido ; ops...ex marido fez questão de comprar quando viajaram para a África.
-quer nos contar o que aconteceu?
Carla é sempre diplomata, ela nunca invade a nossa privacidade, ela é quem mantém o equilíbrio do grupo.
Eu não respondi de imediato porque, pela primeira vez desde que descobri a gravidez eu não pensei só em mim.
Carla estava recém separada por conta de uma gravidez e senti que seria estranho,jogar a notícia assim no peito dela.
-ela tá grávida
Sabrina disse a queima roupa e meu estômago embrulhou.