Eu acordo com o cheiro de café. Por alguns segundos, fico deitada olhando para o teto, tentando entender onde estou. O quarto não é meu. A cama não é minha. A casa não é minha. Até o silêncio daquele começo de manhã parece estranho. Então eu lembro. A casa da dona Joana. A noite anterior volta aos poucos à minha cabeça. O mercado. Os três dias trabalhando como freelancer. O cansaço acumulado. A conversa com ela. A condução até o Alemão. O medo de estar entrando em um lugar completamente desconhecido. E depois, a comida que ela fez para mim como se já me conhecesse há anos. Viro para o lado e olho para o relógio. Ainda está cedo. Muito cedo. Levanto devagar, arrumo a cama e saio do quarto tentando não fazer barulho. Ainda fico com aquela sensação desconfortável de estar ocupando um e

