Eu fiquei sabendo que se eu passar seis meses com o pequeno comigo diminui a pena, fiquei feliz ao saber, porém não esperava que seria eu quem ia cuidar dele.
A diretora daqui está me dando muito apoio, eu não sou essa pessoa tão r**m, a vida me fez ser quem eu sou, eu não culpo meus pais adotivos, mas sim os meus pais biológico, era eles quem tinha que me dar todo apoio, mas não preferiram me abandonar, meu pai adotivo, foi um paizão, já a minha mãe ela teve uma parcela de culpa por eu estar assim.
Mas vamos lá, eu pedi para direito vetar a ida do meu pequeno para o Estado Unidos, ele vai ficar comigo por longos e infernais seis meses, mas não posso perder essa oportunidade de sair o mais de pressa daqui, se ele é a chave para eu sair então vou usar.
Eu não esperava pelo delgado aqui tão cedo, eu achava que ele tivesse ido embora e que não levaria o bebê, mas eu me enganei, ele só não estava aqui como me ameaçou de tirar o bebê, o pior disso tudo é que ele tem grandes chances de conseguir, pois além de eu ser uma detenta, eu dei meu filho para adoção assim que nasceu e agora estou arrependida, mas só para me ajudar a sair daqui, qualquer juiz vai dar a guarda para ele, ou melhor se a juíza for a minha mãe ou a minha tia, eu tô perdida, pois ambas sabem que eu não quero essa criança, só quero apenas usar-lo.
Jacob me disse coisas que eu não esperava ouvir, mas não vou tremer na base, eu não tenho medo dele, pelo contrário, vou lutar até o fim para não deixar ele ir embora com a criança, nossa eu não consigo chamar de filho e nem tão pouco chamar pelo nome.
Agora se eu não esperava por Jacob aqui na clínica, imagina essa visitinha inusitada, senhora Lene em pessoa aqui na minha frente, não está com cara de bons amigos e sim de poucos.
— O que devo a honra dessa ilustre visita?
— Adriana sem cinismo.
— Engraçado que a senhora só me viu no hospital e nunca mais veio me ver e eu estou de cinismo?
— Eu vim conversar com você, fazer que você mude de ideia sobre a guarda do pequeno Juan.
— Então pode ir embora, eu não vou mudar de ideia, ele é meu... Quer dizer ele saiu de mim e tem que ficar comigo.
— Você saiu da sua mãe e não ficou com ela, pelo mesmo motivo do Juan.
Eu não acredito que depois de anos, ela foi do meu passado, ela tocou no assunto sobre a minha mãe e como assim eu não fiquei com a minha mãe pelo mesmo motivo que o pequeno não pode ficar comigo.
— Como assim eu não fiquei com a minha mãe? Pelo mesmo motivo que o do pequeno? Me explique isso.
— Adriana, anos atrás, você tinha meses de nascido, sua mãe foi sentenciada a pegar uma pena de vinte anos de detenção, ela não ia ver o por do sol durante vinte anos, isso se ela tivesse um bom comportamento, ela sairia antes, mas como ela era como você, inconsequente e louca, ela só aprontava na detenção, isso fez ela ficar mais tempo presa, mas ao longo dos anos ela percebeu que a vida não era brincadeira e daí decidiu mudar totalmente seu comportamento, fazendo ela tira os vinte anos e sair de lá.
Quando sua mãe foi presa, seu pai, então meu marido, era advogado dela, ele tinha um coração mole e quando ela estava sendo levada ela pediu pra ele cuidar de você, pois o prazo da mãe ficar com o filho na sela já havia se passado, você estava com oito meses e não podia mais ficar junto dela.
Meu marido infernizou para eu deixar você ficar em nossa casa, eu de início não queria, pois para mim você iria ser como a sua mãe, pois tinha seu sangue e por fim eu estava certa, claro que meu marido morreu antes de presenciar esse acontecimento, se não hoje eu passaria em sua cara como você ficou igual ou pior a sua mãe.
Não esperava por isso, saber quem foi a minha mãe e o que ela fez, me deixou triste, então tudo explica como eu sou hoje, eu não sabia disso, mas isso não vai mudar em nada, eu vim parar aqui por dó da Lene, eu poderia mofa na cadeia, mas ela foi boa comigo e apenas me mandou para cá.
— Porque só agora você veio me contar isso, sobre o meu passado, porque não teve essa conversa antes, sabe que poderia evitar muitas coisas.
— Porque meu marido na época me prometeu que iria cuidar de você e não ia deixar você ser como a sua mãe, mas ele não contava com a morte, ele falhou e eu não tive coragem de continuar com o que ele fazia com você, pois eu não queria ser sua mãe.
— Mas você foi dura c***l comigo o tempo todo, tem alguma explicação para isso?
— Tem e não tem. Eu era nova quando recebi o diagnóstico que não poderia ser mãe, eu já havia aceitado isso, mas a loucura dele em ser pai falou mais alto, ele vi orfanato sem me comunicar, as vezes levava crianças para conhecer nossa casa e sempre falava esse pode ser o nosso filho, eu não queria filho de outra mãe, eu queria o meu filho vindo de mim, se Deus não me desse essa honra, eu também não queria de outra maneira, mas ele era insistente, procurar crianças por todo lugar e quando sua mãe lhe deua a ele, você não imagina o quanto ele ficou feliz, parecia p***o no lixo, então eu deixei ele te levar para nossa casa, mas com essa condição de que eu não moveria uma palha por você.
Daí veio a sua irmã, eu fiquei feliz em saber que sim eu podia ser mãe, meu sonho estava se realizando, mas o que eu nunca falei, como eu fiz para realizar meu sonho, eu me envolvi com um colega de trabalho e foi ele quem me deu meu grande amor, sabe os diagnósticos, então eles estavam errado, quem não podia me proporcionar a maternidade era meu marido e não eu, ele era infértil não eu, mas eu não podia acabar com meu casamento, então deixei ele te criar e eu criava a minha filha e assim foi por anos até Deus levar ele e você ter que se cuidar sozinha, pois eu não tinha forças para representar esse papel de mãe em sua vida, mas para me redimir do meu erro, eu fui atrás da sua mãe legítima.
— Nossa, como você foi egoísta, só pensou em você, em nenhum momento pensou em seu marido, só queria alimentar seu ego, fez bem não ter me criado, hoje eu seria um monstro pior do que eu já sou, eu dou graças a Deus que você não foi A MINHA MÃE ' se você imagina o demônio que eu seria hoje.
— Eu sei que você vai me culpar, mas eu não tenho culpa de não querer ser sua mãe, eu fui forçada a ser, meu marido era louco para ser pai, era a vontade dele, não a minha, se fosse para eu ser mãe tinha que ser de um vindo do meu ventre, não de outra pessoa, eu não sou egoísta, eu só não aceitei ser e ponto final, mas como te falei, para me redimir hoje eu trouxe seu passado, para você entender muitas coisas e também mudar de idéia sobre seu filho.
— O filho é meu, sou eu quem decide por ele, não me venha me dar ideias pois você não é a mais preparada para isso.
Sobre o meu passado sou eu quem decide se quero ver ou não, então vai com sua bondade para vem longe de mim.
Ela se virou e foi embora, mas não antes de jogar essa bomba em meu colo e sair como se nada tivesse acontecido, como eu consegui viver no mesmo teto com uma pessoa podre de alma, não sou eu que sou doente e sim ela, eu passei esses anos todos achando que o problema estava em mim e agora percebo quem é a louca a doente, agora tudo faz sentido...