186

1246 Words

186 — Urso Narrando Mermão, a dor no ombro tava ali, dando aquele soco por dentro da pele a cada movimento, mas o ego... Ah, o ego tava blindado. Depois que a Dona Nádia me deu aquele esporro, trocou o curativo com a mão pesada dela e me entupiu de remédio, eu senti que precisava botar a cara. Não ia ficar deitado em cama de hospital improvisada enquanto a minha mulher tava por aí, de marquinha nova e marra dobrada. Subi pro meu casarão, o meu palácio no alto do morro. Entrei naquele banheiro que é maior que a sala de muita gente e liguei o chuveiro no gelado pra ver se a alma voltava pro corpo. Lavar o corpo com um braço só é um malabarismo do c****e, mas eu dei meu jeito. O vapor subindo, o cheiro de sabonete caro... eu tava voltando a ser o Urso. Saí do banho e fui direto pro closet

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