72 — Urso Narrando O tempo no morro voa quando a gente tá em guerra, mas ele vira um deserto de areia quando a gente tá sozinho. Já se passou mais de um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias e uns quebrados desde que a Juliana bateu a porta e levou a cor do meu mundo junto com ela. Um ano. Era pra eu ter esquecido, né? Era pra eu estar em outra, era pra essa dor ter virado calo. Mas não virou. Eu continuo aqui, o "dono da p***a toda", o cara que todo mundo teme, mas que quando chega em casa e tranca a porta, vira um trapo. Tem noite que o uísque não bate, que o baseado não acalma, e eu me pego sentado no canto da cama, chorando igual um moleque. Um choro seco, que queima a garganta. Eu ainda tenho aquela pasta escondida no celular. "J.". Protegida por senha, pra ninguém ver a fraquez

