39 — Nádia Narrando Um ano. Doze meses vendo o sol nascer com um aperto no peito e se pôr com uma oração nos lábios. Esse tempo do Diego na tranca me envelheceu uns dez anos, mas também me ensinou a enxergar coisas que a correria do morro não deixava. Eu tenho a minha rotina. Vou visitar meu filho no meio da semana, nas quartas-feiras. Faço questão de ir nesses dias porque sei que o domingo... o domingo pertence a eles. Eu fui jovem, eu sei o que é o fogo de um homem e de uma mulher que se amam, e o Diego precisa daquele momento com a Juliana pra se sentir vivo, pra lembrar que ainda é um homem e não só uma matrícula num corredor escuro. E vou dizer uma coisa do fundo do meu coração de mãe: eu observo a Juliana. Observo cada passo, cada sacola que ela carrega, cada olheira que ela tent

