111 — Juliana Narrando A noite que começou com farpas e gritos terminou da forma mais inesperada possível. O medo do Pedro foi o único capaz de derrubar as barreiras que eu levei quatro anos construindo. Acabei dormindo ali, espremida naquela cama de solteiro, sentindo o calor de dois corpos que, querendo ou não, eram a minha raiz. O Diego dormiu de barriga para cima, ocupando quase o espaço todo, e o Pedro... o Pedro parecia um filhote de passarinho protegendo o ninho. Ele dormiu em cima do peito do pai, com o rostinho colado nas tatuagens, como se aquele batimento cardíaco fosse a única música capaz de espantar os monstros. Eu fiquei de lado, o rosto quase encostado no braço musculoso do Diego, sentindo o cheiro de perfume e suor dele misturado com o cheiro de bebê do meu filho. Não h

