32 — Urso Narrando O sangue subiu pra cabeça de um jeito que eu parei de enxergar. O banheiro da cela ficou pequeno pro meu ódio. Quando a Juliana desligou o telefone na minha cara pela segunda vez, eu senti uma veia saltar na testa que parecia que ia explodir. A imagem daquele garoto de quiosque chamando ela de "morena" e ela lá, toda faceira, com o peitão novo empinado e aquele biquíni de fita que eu sei que não cobre nem o pensamento, tava me torturando. — Ela tá achando o quê? Que eu sou algum o****o? Que eu sou algum babaca que vai ficar aqui mofando na tranca enquanto ela desfila na orla? — eu gritava, andando de um lado pro outro, chutando o balde da limpeza. O Coronel e o Sombra tavam sentados na beliche, só assistindo o circo, se acabando de rir. — Relaxa, Urso! A mulher é um

