57 — Urso Narrando O silêncio é a arma mais barulhenta que existe. Quando eu entrei naquela fortaleza, o lugar que eu construí para ser o nosso castelo, o silêncio me atingiu como uma granada de efeito moral. Meus ouvidos, ainda zumbindo da cirurgia e dos gritos da minha mãe no pátio do posto, não conseguiam processar aquela paz morta. Eu caminhava arrastando a perna, a mão pressionando o curativo na barriga que já começava a vazar um sangue rosado, mas eu não sentia dor física. Eu não sentia nada a não ser uma descrença absoluta. — Juliana? — minha voz saiu rouca, um sussurro que se perdeu no pé-direito alto da sala. — Pretona? Para com essa p***a, eu já cheguei. Eu olhava para o sofá de couro branco, onde ela costumava sentar para ver as séries dela enquanto eu limpava o fuzil. Estav

