180

1475 Words

180 -- Urso Narrando Acordar na casa da Dona Nádia é um bagulho que me faz voltar no tempo, mas hoje o despertador foi o soco que o meu ombro tava dando por dentro da faixa. A anestesia da noite já tinha ido pro ralo e a dor tava ali, viva, latejando num ritmo que parecia que tinha um tambor dentro do meu osso. Tentei levantar devagar, mas o corpo pesava uma tonelada. A Dona Nádia já brotou no quarto com um copo de suco de laranja e aquela cartela de antibiótico que o médico passou. — Toma logo isso, Diego. Antes que essa febre volte e tu comece a ver bicho de novo — ela falou, entregando os comprimidos com aquela cara de "eu avisei". Engoli a seco, sentindo o amargo descer. Sentei na beira da cama, coçando a cabeça com a mão boa, e a primeira coisa que o meu vício pediu foi o alento

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