177

1047 Words

177 — Juliana Narrando Depois que o Diego saiu sangrando e eu limpei a última gota daquele rastro de cinismo do meu chão, eu parecia um robô. Peguei o telefone, liguei pro vidraceiro e dei a ordem: "Quero um vidro novo, temperado, o mais forte que tiver. Quero a minha loja inteira de novo pra ontem". Paguei o sinal com o próprio dinheiro do Pix que ele — ou a p*****a dele — mandou. Justiça poética. Peguei o Pedro, fechei a loja e fui pra casa da minha mãe. O silêncio no caminho foi mortal. O Pedro ia no meu colo, quietinho, agarrado no chocolate que o pai comprou, sem saber que o "papai" agora tinha um furo a mais no corpo por causa da "bombinha" da mamãe. Cheguei em casa e fui direto pro chuveiro. Tomei um banho demorado, esfregando a pele como se pudesse arrancar o cheiro de pólvora

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