52

1558 Words

52 — Juliana Narrando Dona Nádia fechou a porta e o silêncio que ficou aqui dentro parece que tem dente, Diego. Ele tá me mordendo por dentro. Eu fiquei um tempo parada, só olhando o teu peito subir e descer devagarzinho, ouvindo esse barulho de máquina desgraçada que tá fazendo o trabalho que o teu pulmão cansou de fazer sozinho. Meus pés parecem que têm dez quilos de areia em cada um, mas eu cheguei perto. Sentei aqui, ó, na beirinha dessa maca gelada. Peguei a tua mão… essa mão que já me apertou com tanta força, que já me deu tanto carinho, mas que também nunca largou o raio desse fuzil. Tua pele tá quente, Diego. Quente de febre, quente de luta. — Oi, meu n***o… — a voz nem sai direito, né? Parece que tem um arame farpado enrolado na minha garganta. Eu me curvei e te dei um selinho

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD