142 -- Juliana Narrando Olhei para o relógio e vi que já estava quase na hora da vitamina do Pedro. Eu não podia atrasar, era a saúde do meu filho em jogo, mas meu corpo inteiro pesava só de pensar em cruzar o caminho do Diego de novo. — Dona Nádia, vou levar o Pedro lá no posto. Tá na hora da dose dele — falei, pegando a bolsa e a chave de casa. A Dona Nádia me olhou com um semblante pesado, segurou no meu braço e disse baixinho, quase como uma oração: — Juliana, você tem que ter sabedoria, minha filha. Muita sabedoria agora. — Pode deixar, Dona Nádia. Eu sei o que eu tô fazendo — respondi, tentando passar uma confiança que eu não tinha. Saí de casa e o Pedro já montou na motinha elétrica que o Diego deu. O moleque estava radiante, acelerando aquele troço no quintal, todo bobo. Fomo

