138 — Juliana Narrando Eu estava sentada no estoque da loja, com a cabeça baixa e as mãos tremendo, enquanto a Manu passava um algodão com água gelada no meu queixo. O ar-condicionado estava no máximo, mas eu sentia meu corpo pegando fogo. A vergonha e o medo estavam me sufocando mais que as mãos do Diego. — Manu... eu saí ontem mesmo — confessei, com a voz embargada, olhando pro chão. — Eu fui pro motel com o Henrique. Pela primeira vez na vida, depois de quatro anos, depois de tudo o que eu passei com o Pedro, eu me senti mulher. Eu transcrevi, Manu. Eu tive um momento meu... e foi bom. A Manu parou o que estava fazendo, me olhou de cima a baixo e soltou um suspiro de "até que enfim". — E por que você tá chorando desse jeito, Juliana? — ela perguntou, colocando as mãos na cintura. —

