14 — Juliana Narrando É como dizem por aí: a gente morde a língua e o destino faz questão de temperar. Meu amor, depois desse dia, não teve mais como fugir. Eu peguei pra mim o título que eu jurei a vida inteira que nunca seria meu: mulher de bandido. Mas não era qualquer mulher, eu era a mulher do Urso, e o morro inteiro fez questão de me mostrar o peso que essa coroa tinha. O respeito veio forte pra cima de mim, de um jeito que até me assustava. Foi uma babação de ovo absurda, um "bom dia, patroa" pra cá, um "precisa de ajuda com as sacolas, dona Juliana?" pra lá. O Diego já é acostumado com esse clima, ele nasceu e cresceu com n**o baixando a cabeça pra ele, mas eu não. Eu sempre fui a Juliana da lojinha, a menina que rala, que dá bom dia pro vizinho e que ninguém olhava com medo. A

