122 — Juliana Narrando O Henrique saiu do quarto e o silêncio que ficou parecia pesar uma tonelada. Fiquei ali, sentada no escuro, ouvindo o barulho ritmado das máquinas e olhando para o meu filho. O que o Henrique disse sobre o Diego não me surpreendeu. Nem um pouco. "Ele te ameaçou, Henrique? Bem-vindo ao mundo do Diego," pensei, sentindo um gosto amargo na boca. O Diego sempre foi isso. Foram três anos de namoro antes de tudo desandar, e ele sempre teve essa necessidade de marcar território, de mostrar que era o dono, o protetor, o senhor da razão. Não ia ser agora, quatro anos depois e sendo o dono da Penha, que ele ia virar um lorde. A personalidade dele é essa: bruta, possessiva, explosiva. Ele acha que porque deu o sangue dele — e eu sou eternamente grata por isso, juro por Deus

