55 — Nádia Narrando Eu vi o meu filho desabar. Vi o Urso, o homem que o Rio de Janeiro temia, se tornar um trapo humano de joelhos no asfalto quente da Penha. O sangue dele escorria, marcando o chão, e o desespero nos olhos dele era o de uma criança perdida no escuro. Mas ali, naquele momento, eu não podia ser apenas a mãe que acarinha. Eu precisava ser a força das minhas ancestrais. Eu sou filha de Oxum, mas carrego o raio de Iansã no peito quando a justiça precisa ser feita. O Gardernal tentou se aproximar para levantá-lo, mas eu levantei a mão. — Deixa ele! — minha voz saiu como um trovão, cortando o barulho dos rádios e das motos. Caminhei até o Diego. Meus pés estavam firmes no chão, como raízes de uma árvore que nenhuma tempestade derruba. Eu me abaixei, ignorei o sangue dele qu

