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1358 Words

44 —Juliana Narrando Eu não conseguia pregar o olho direito. O corpo estava moído de cansaço, mas a mente estava em festa, alerta, como se eu tivesse medo de dormir e, quando acordasse, tudo não passasse de um sonho c***l e eu ainda estivesse na fila de Realengo. Fiquei ali, vigiando o sono dele. O Diego dormiu um sono tão pesado que nem o barulho dos fogos lá no morro parecia incomodar. A Dona Nádia, coitada, estava tão emocionada que nem quis sair de perto do filho; ela acabou dormindo ali no cantinho da cama com ele, e eu me ajeitei no sofá da sala, mas de madrugada, não aguentei e vim ficar pertinho. O céu já estava querendo clarear, aquele azul clarinho de quem vai começar o dia, quando eu senti o colchão mexer. Ele deu um suspiro longo, daqueles que vêm do fundo da alma, e abriu

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