119 — Juliana Narrando O Henrique saiu do quarto e deixou um rastro de tensão que dava para cortar com uma faca. O Diego estava parado no canto, com os punhos cerrados, parecendo um bicho enjaulado. Eu conheço esse olhar; é o olhar de quem está se sentindo vulnerável, e pro Diego, vulnerabilidade é sinônimo de morte. — Diego, olha pra mim — chamei, aproximando-me dele, mas mantendo uma distância segura para não parecer que eu estava desafiando a autoridade dele. — Você tem que parar com isso. Todo mundo aqui, do faxineiro ao médico, está fazendo o melhor pelo Pedro. Você fica querendo controlar até o que o doutor fala, querendo peitar a ciência com essa sua marra. Não funciona assim. — Tu não entende, Juliana! — ele rebateu, a voz rouca, apontando para a janela. — Eu não sou um civil qu

