144 — Juliana Narrando O tempo foi passando e, por incrível que pareça, a poeira baixou na Penha. Já faz umas boas semanas que o Diego não encosta no meu portão pra fazer confusão. A marca da mordida no meu queixo sumiu da pele, mas ficou gravada na minha memória, e foi por isso que eu decidi que não ia mais dar um pingo de confiança pra ele. Eu não brigo, eu não grito... eu simplesmente ignoro. E o silêncio dói mais nele do que qualquer baixaria. Tenho vivido em paz, focada cem por cento na minha loja com a Manu e no Pedro. Meu filho não desgruda de mim, mas, de vez em quando, ele pede pra dormir lá no casarão com o pai. Eu deixo, porque não sou louca de afastar os dois, mas quando o Pedro vai, o Diego começa o show dele. O celular vibra a noite toda. É mensagem perguntando se o Pedro

