23 — Urso Narrando O despertador nem precisou tocar aquele dia. Eu acordei com uma sensação estranha, um peso no peito que eu não sabia de onde vinha. O sol tava começando a querer apontar na Penha e o radinho já tava no "vibe" de bom dia. Olhei pro lado e vi a Juliana dormindo, a coisa mais linda desse mundo. Ela ainda tava com aquele sutiã do pós-operatório, toda dengosa. O meu celular não parava de vibrar. Era minha mãe. Dez chamadas perdidas. Eu sabia que ela ia vir com aqueles avisos dela, com aquelas visões que sempre me deixavam com a cabeça a mil. Mas naquele dia, eu tava com pressa. O roubo de carga de eletrônico que a gente ia fazer era o maior do semestre, era o lucro que ia fechar o mês com chave de ouro. — p***a, mãe... hoje não — resmunguei baixo, colocando o celular no s

