143 -- Urso Narrando Já se passaram uns dias desde aquela confusão no quarto, e o clima continua pesado como chumbo. A Juliana não me dá um pingo de moral. Ela fala comigo o estritamente necessário por causa do Pedro, e olhe lá. Eu sei que errei a mão, sei que machuquei ela e que aquele queixo marcado ainda deve estar doendo na alma dela, mas eu não sei mais o que fazer para essa mulher ficar perto de mim sem ser com aquele olhar de desprezo. Eu tô tentando, na moral. Tô tentando me acalmar, focar em outra coisa pra não pirar. Agora sou eu que levo o Pedro todo dia pro posto pra tomar as vitaminas. A Juliana diz que tá ocupada na loja, que tem cliente, que tem entrega... ela tá fugindo de mim e eu tô deixando, porque se eu forçar, o bicho vai pegar de novo. Chego no posto com o moleque

