Ethan Colle
Já passava das cinco horas e o prédio onde fica a minha empresa de marketing estava praticamente vazio, com a presença apenas dos seguranças. Continuava trabalhando, imerso em papéis e relatórios, tentando não pensar no jantar de noivado da minha irmã.
Meu celular toca, tirando-me dos pensamentos. Ao ver o nome no visor, suspiro e atendo.
- Noah, o que houve?
- Você ainda está com a ideia de arrumar a tal namorada falsa? – Noah pergunta, direto ao ponto.
Recosto-me na cadeira, esfregando as têmporas.
- Sim, não tem como aparecer na frente de Vitória e Vincent sozinho. É a última coisa que quero.
- Entendi. Bem, eu conheço a pessoa perfeita para isso. – endireitei-me na cadeira, intrigado.
- Sério? Quem?
- Amanhã, depois do expediente, eu a levo até você. – franzo a testa.
- E você não vai me dar mais detalhes? – Noah ri do outro lado da linha.
- Tudo o que você precisa saber é que ela precisa do dinheiro. – suspiro, não muito convencido.
- Se eu não gostar da garota, não vou aceitar.
- Claro, mas confie em mim, Ethan. Acho que você vai gostar.
Conversamos mais um pouco e quase perguntei sobre a garota ruiva que derramou café em mim mais cedo. Será que ela trabalha no escritório de Noah? Porém, decido deixar para lá.
- Até amanhã, então. – diz Noah.
- Até. – respondo, desligando o telefone.
Sem conseguir voltar a me concentrar no trabalho, pego as minhas coisas e me preparo para ir embora. Ao sair, cumprimentei os seguranças com um aceno de cabeça e sigo para estacionamento.
No caminho até o carro, respiro fundo, sentindo o ar fresco da noite. Entro no carro e começo a dirigir pelas ruas da Califórnia, tentando clarear a mente. Passo pelo calçadão da praia, onde vejo pessoas caminhando, outras apenas conversando. A vista do mar sempre me ajuda a relaxar um pouco.
Enquanto dirijo, me pego pensando na conversa com Noah. Quem será essa garota? E será que realmente vale a pena pagar alguém para fingir ser minha namorada? Balanço a cabeça, tentando afastar as dúvidas.
Decido parar em uma lanchonete à beira-mar para pegar um café. Ao entrar, lembro-me do incidente mais cedo com a garota ruiva e um sorriso involuntário surge em meu lábios. Ela parecia tão atrapalhada, mas havia algo encantador nela.
Com o café na mão, volto para o carro e me dirijo para casa. Sei que a noite será longa, mas pelo menos agora tenho algo diferente para pensar.
Chegando ao meu apartamento, jogo as chaves na mesa de entrada e vou direto para o quarto. Preciso de um banho para tirar o peso do dia das costas. Retiro a roupa e entro no chuveiro, deixando a água quente cair sobre mim. Fecho os olhos e permito que a água leve embora a tensão acumulada.
Enquanto a água escorre pelo meu corpo, penso em todas as complicações que parecem se empilhar na minha vida. O jantar de noivado de Helena, a necessidade de arrumar uma namorada falsa, os fantasmas do meu passado que estão prestes a ressurgir. A ex-namorada e o antigo amigo, os únicos que sabem o que realmente aconteceu no acidente, vão estar lá. A água quente é reconfortante, mas não o suficiente para lavar essas preocupações.
Depois do banho, visto apenas uma calça de moletom e vou para cozinha preparar algo para comer. Abro a geladeira, e tiro alguns ingredientes e começo a fazer um sanduíche.
Enquanto estou cortando os tomates, o meu celular acende com a chegada de uma mensagem de Helena. Seco as mãos rapidamente e pego o aparelho.
Helena - Ei Ethan. Sei que você não gostou, mas não tive escolha em não convidar a Vitória e Vincent. Matthew e Vincent são quase irmãos. Espero que entenda. Amo você.
Solto um suspiro, sentindo um misto de frustração e carinho pela minha irmã. Matthew e Vincent serem tão próximos só me faz acreditar ainda mais que Matthew não vale nada.
Respondo rapidamente.
Ethan - Tudo bem, Helena. Eu entendo. Amo você também.
Termino de preparar o sanduíche, e pego um suco de laranja para acompanhar, como sem muita pressa, e depois lavo o que sujei. A cozinha fica impecável novamente, porém, a minha mente está longe de estar organizada. Decido que preciso de ar fresco, algo para acalmar meus pensamentos turbulentos.
Vou para a sacada do apartamento, que dá de cara para o mar. O som das ondas quebrando na praia sempre me traz uma sensação de paz. A vista é espetacular, e a noite está estrelada. O dia não começou bem com a notícia do noivado de Helena, mas farei tudo para provar que Matthew não a merece antes desse casamento. Se ele é amigo de Vincent, é porque eles se entendem, e isso já diz muito. Preciso proteger a minha irmã, mesmo que ela não perceba o perigo.
Olho para o mar, perdido em pensamentos. Amanhã, Noah trará essa garota para eu conhecer. Uma namorada falsa… Parece uma ideia maluca, mas se é o que preciso para enfrentar Vincent e Vitória, estou disposto a tentar. A ideia de pagar alguém para ser minha namorada é absurda, mas, ao mesmo tempo, pode ser a única solução.