Mia Carter
Estava imersa em contas que simplesmente não batiam. Vinha fazendo isso desde que a primeira cobrança chegou há quatro meses, logo após a morte do meu pai. Papai sofreu um ataque cardíaco fulminante. Ele já vinha enfrentando problemas de saúde há algum tempo, e o médico recomendou que ele desacelerasse. Porém, o meu pai era teimoso. Continuou trabalhando, dizendo que precisava me ajudar a terminar a faculdade.
Lembro-me claramente daquele dia fatídico.
Era só mais um dia comum, bom assim eu pensava, estava na biblioteca da universidade, mergulhada nos estudos quando recebi a ligação do chefe dele.
- Mia, o seu pai passou m*l e foi levado para o hospital. – ele disse, agradeci.
Fui correndo para o hospital, com o coração apertado, porém, quando cheguei já era tarde demais, o meu pai partiu e nem me despedir consegui dele, senti uma dor como jamais tinha sentido na vida, perdi a única família que me restara.
Se ao menos ele tivesse conversado comigo sobre a nossa situação financeira, eu teria trancado a faculdade. Ele não precisaria ter hipotecado a casa, para ajudar a pagar a minha faculdade.
Sou filha única, e os meus pais também eram. Não tenho para quem pedir ajuda. A cada nova cobrança que chega, sinto um aperto no peito. Papai hipotecou a nossa casa, e se eu não conseguir pagar, vou morar na rua, estou desesperada para encontrar uma solução.
Eu sou Mia Carter, tenho 21 anos. Sou ruiva, com olhos verdes que todos dizem ser minha característica mais marcante. Não sou muito alta, tenho 1,70. Estou no quarto da faculdade de Direito, e trabalho em um dos escritórios de advocacia mais bem-sucedidos aqui na Flórida. Bom, sou apenas uma estagiária, mas espero crescer lá dentro.
Depois de uma manhã de estudos na cafeteria do campus, fui para o escritório. Estava perdida em meus pensamentos, ponderando se deveria pedir um conselho jurídico ao Dr. Noah sobre as minhas dívidas, quando cheguei ao elevador do prédio. Estava tão absorta que não percebi o homem saindo do elevador até ser tarde demais.
Bati de frente com ele, e todo o meu café que estava na minha mão foi para em cima dele.
- Meu Deus, desculpe! Mil desculpas! – falei, com os olhos arregalados, tentando limpar o café derramado com um lenço de papel.
Quando olhei para cima fiquei até sem ar, o homem era lindo – o tipo de beleza que faz você esquecer o próprio nome. Alto devia ter quase 1,90, com olhos azuis intensos, um queixo quadrado com uma barba por fazer, os cabelos era um castanho claro. Porém, a expressão dele estava longe de ser amigável.
- Você deveria prestar atenção por onde anda. – ele rosnou, claramente irritado.
- Eu realmente sinto muito. Eu estava distraída… – tentei explicar, ainda tentando limpar a bagunça.
Ele olhou para mim com desprezo, que me fez até me encolher um pouco.
- Isso é evidente. Da próxima vez, tente não transformar o dia de alguém em desastre.
Ainda estava em choque, metade pela grosseria dele, metade por quão atraente ele era, mesmo sendo um tremendo ogro.
Eu juro, não foi a minha intenção. Se precisar, eu pago a limpeza do terno. – ele bufou, claramente achando a ideia ridícula, até eu achava, porque deveria custar um rim mandar para lavanderia um terno desses, que com certeza é de alguma marca famosa.
- Apenas fique fora do meu caminho. – e com isso, ele se afastou, deixando-me ali, embaraçada e sem palavras.
Chegando ao escritório, ainda recuperando-me do encontro, a minha mente estava uma confusão. Quem era aquele cara? E por que, apesar da grosseria, ele era o homem mais bonito que eu já tinha visto? Eu devo estar ficando louca, isso com certeza é falta de sexo, o homem era um tremendo grosso, mas era lindo, a minha consciência fala, para com isso Mia, é realmente enlouqueci, estou brigando com a minha própria consciência.
Respirei fundo e decidi focar no que realmente importava. Fui direto para a sala do Dr. Noah. Bati na porta e ouvi um “Entre” do outro lado.
- Oi, Dr. Noah. Tem um minuto? – perguntei, entrando na sala.
- Claro, Mia. O que posso fazer por você. – ele sorriu, sempre atencioso.
Sentei-me e soltei um suspiro pesado.
- Estou com dificuldades financeiras desde que o meu pai faleceu, e agora estou enfrentando a possibilidade de perder a casa por causa da hipoteca. Existe alguma forma de retardar o processo e ganhar mais tempo para pagar a dívida?
Noah franziu a testa, ponderando.
- Mia, sinto muito pela sua situação. Infelizmente, não há muitas opções quando se trata de hipotecas. Os bancos têm processos rígidos. Você pode tentar negociar um plano de pagamento, mas isso depende muito do banco estar disposto a colaborar.
O meu coração afundou. Claro que não seria fácil.
- Não há uma cláusula mágica, ou algo que possa usar? – ele sorriu gentilmente.
- Infelizmente, não. A lei é bem clara nesses casos. No entanto, podemos tentar entrar em contato com o banco e explicar a sua situação. Às vezes, eles oferecem uma extensão temporária ou uma modificação no empréstimo.
Então, basicamente, tudo depende de um milagre bancário? Era uma droga ser filha única, estava tentando não deixar o desespero transparecer. E, claro, por que não? Eu só preciso de um pouco de sorte… e talvez um gênio da lâmpada, fiquei presa em meu pensamentos, até que Noah voltou a falar, ele parecia ler os meus pensamentos.
- Mia, sei que é difícil, mas não desista. Às vezes, quando tudo parece perdido, uma solução inesperada aparece.
- Obrigada, Dr. Noah. Vou tentar manter a esperança. – Levantei-me para sair, mas hesitei. – E se eu pedir uma audiência com gênio da lâmpada, você acha que ele me atenderia? – brinquei, tentando aliviar a tensão, ele riu.
- Não custa tentar, Mia. Não custa tentar.
Saí da sala de Noah com um pouco mais de clareza, porém, ainda com um peso enorme nos ombros. A minha única esperança agora era que esse tal milagre bancário realmente existisse. E, quem sabe, um dia eu também conseguiria lidar com caras bonitos e grosseiros sem jogar café neles.