Capítulo 03

1062 Words
A gente não consegue esconder um sentimento para sempre, certo? Por mais que a gente tente, ou por mais que a gente tente se enganar com aquilo falando para nós mesmos que não é real, nosso subconsciente sabe exatamente a verdade, e uma hora ou outra vai trazer essa verdade à tona para nós mesmos e aí não vamos ter para onde fugir. Maison passou o dia pensando no rapaz que foi buscar Chloe, e era estranho para si ficar tanto tempo pensando naquilo. Afinal, Chloe é uma garota livre para ficar com quem quiser, e com quem ela sai ou não isso não interessa a ninguém. Mas Maison não consegue esquecer a forma como a outra ficou feliz em ver aquele garoto ali. —Você tá no mundo da lua. Olivia disse após terminar de se vestir. Maison então a encarou e, por breves segundos, ele pensou que não era exatamente com ela que ele queria estar. —Vai embora. Maison disse, levantando e se vestindo. —Assim do nada? Ela falou confusa, e Maison revirou os olhos. —Minha irmã não quer mais que eu traga garotas aqui para casa, por isso acho melhor você ir antes que ela chegue. Então vai embora. Não tinha nenhuma delicadeza na voz de Maison, ele só queria que ela fosse embora de uma vez e parasse de ficar perturbando sua mente, que já está confusa o suficiente. —A gente poderia resolver isso, sabia? Ela disse, indo até ele e o abraçando. —Do que está falando? Ele perguntou, começando a se estressar com a insistência dela. —Simples, a gente namora e aí o sua irmã não vai implicar com minhas vindas aqui, afinal eu iria ser a sua namorada. Olivia falou toda feliz e Maison logo afastou a mesma de si. —Quantas vezes vou ter que falar, que não quero namorar? É difícil pra você entender isso? Ele disse, passando a mão nos cabelos. —Eu não entendo. Por que a gente não namora de uma vez? Eu sou a sua ficante fixa, não seria complicado me tornar sua namorada. Ela falou cruzando os braços e olhando para ele. —Porque, Olivia, você é apenas a minha diversão. A garota que eu procuro quando não tenho outra opção. E é tão burra que sempre fica fácil fácil pra mim, sabendo que eu nunca vou te assumir. Ele disse como se fosse a coisa mais fácil do mundo, como se estivesse falando da vida da vizinha. —Eu acho incrível como você fala isso na maior facilidade do mundo, sem pensar nos meus sentimentos. A garota falou, se sentindo atingida pelas palavras de Maison — afinal, quem não ficaria? —Eu sempre falei que nós dois não ia rolar nada além de sexo, e você concordou com isso. Então sim, eu falo de forma simples e rápida porque prefiro ser sincero do que te iludir prometendo coisas que não vou cumprir. E aí você decide se quer ficar ou não. Caso não vá ficar, ótimo, que você seja feliz com outro alguém. E se for ficar, que fique sabendo que nós dois é apenas sexo — e nem é tão bom assim. Maison disse, arrumando a cama enquanto ela ficou em silêncio. —Ok, se é assim que quer, assim vai ser. Eu preciso ir. Ela disse, abrindo a porta do quarto e saindo dali. Maison se sentou no chão e ficou ali, pensativo. O fato de descontar suas dores, medos e angústias, tudo em sexo ou álcool, no fim já não é tão divertido assim. Porque o álcool faz a gente enjoar do sabor amargo, e o sexo nem sempre vai ser tão bom, porque não tem sentimento no ato. Sem contar que tantos corações foram quebrados nesse negócio de apenas uma noite. E no fundo, bem lá no fundo mesmo, Maison não se orgulha de ter feito tantas pessoas chorarem. Mas p***a, ele avisou. Ele sempre avisa. Se apaixona quem quer, porque ele não é nem um pouco romântico. O sexo é bruto, mas não ao ponto de machucar. Mas, após o ato, cada um segue seu rumo. Então por que caralhos tem garota que ainda se apaixona por si? Não era pra ser assim. Nunca foi pra ser assim, na verdade. E dói em si. Pode não parecer, mas dói. A falta de seus pais fez ele se tornar uma péssima pessoa, que muitas vezes não consegue compreender os acontecimentos ao seu redor. E isso é horrível. É tão doloroso que ele já não consegue apenas chorar ou gritar, porque no fim ainda vai estar doendo. Tantas vezes Maison parou para pensar e se perguntou: e se sua mãe tivesse viva? Sendo a pessoa mais protetora e, ao mesmo tempo, rigorosa consigo, será que assim ele seria uma pessoa melhor? Será que, se seu pai ainda estivesse vivo e levasse ele para passear todo fim de semana como sempre fazia, ele seria mais feliz? Eram tantas perguntas em sua mente. Não é de propósito tal comportamento — ou pelo menos metade de suas atitudes não são por querer. Já outras talvez sejam apenas birra de adolescente. Porém, Maison se acostumou a ser assim, a levar a vida da forma mais fácil para si. E o mais fácil para si é viver em festas, ficando com quem bem entende e usar e abusar da fama que não é totalmente sua, mas sim de sua irmã. É mais fácil assim, porque no momento em que tudo tá acontecendo, é menos doloroso. Mas, quando o silêncio se faz presente, o peso mental vem. O que Maison não sabe é que, se ele não quiser tentar parar de ser assim, a vida vai se encarregar disso por si só. Maison esquece que toda ação tem sua reação, todo ato tem uma consequência. E por mais que ele diga que está tudo sob controle, uma hora todo mundo vacila e, no fim, é obrigado a sossegar. São coisas básicas que a vida mesmo tenta nos ensinar de alguma forma, mas se a gente não aprende com amor, a gente tem que aprender na base da dor. E um dia Maison vai entender bem o que é isso. Não importa quanto tempo leve, a nossa ação — seja ela certa ou errada — sempre vai vir com uma consequência, seja ela boa ou r**m.
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